quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O vinho é sexy!


O vinho antes de tudo é um tributo a mulher. Talvez seja por isso que o apreciamos tanto.

         
          Acredito piamente que o vinho tenha sido inventado por uma alma feminina! Sim, não há como um homem – muito menos aquele estereotipado pelo mitológico Baco -  ter criado algo tão deslumbrante e perfeito. Tudo o que envolve o vinho é feminino, sedutor e sexy, a começar pela garrafa: propositadamente de cor âmbar para esconder o seu conteúdo, protege-lo dos olhares brilhantes e curiosos e revelar-se somente quando o momento pertinente for. Para descobrir o que esconde, deve-se despir o liquido de seu entorno, tirar-lhe a roupa e efusivamente dar-lhe a liberdade da expressão e o beneficio do frescor, da aero sublimação. Bebe-lo é sorver-se de prazer, é regozijar-se de êxtase. A taça, então, reveste-se de todas as curvas - perfeitas curvas - do corpo de uma mulher! Seu pé, um salto alto erguendo-se acima algo precioso, beleza rara, decidida, vibrante, majestosa e vivaz. No bojo o formato de um seio voluptuoso, redondo, liso e delicado que chama ao colo os lábios mais vorazes.

Na cor rose a denúncia de bochechas charmosamente enrubescidas e na tinta, a boca carmim recém-maquilada de vermelho rubi intenso e contornos aquosos que, quando entreaberta, habilita-se a extrair lágrimas lentas e abundantes. Um sortilégio para quem vê e sente.

E no olfato mais ousado, o perfume preenche a mente, revelando memórias e histórias recheadas de puritanismo – ôpa! - mas nem tanto. O cheiro inunda as narinas trazendo flores, frutas, baunilha, patchuli, suor e todo o repertório de fragrâncias exaladas pelo corpo dadivoso. No balanço da taça, a mexida do cabelo, na gota escorrida, uma última lembrança. E na boca, então, toda a complexidade que algo pode exprimir, nem tanto ao fel nem tanto ao bálsamo, milhares de sensações: frescor, vida, calor, surpresa, prazer. E neste conjunto, assim como o vinho, entrega-se já vespertinamente ao brinde, certa e resiliente, majestosa e trágica. O vinho antes de tudo é um tributo a mulher. Talvez seja por isso que o apreciamos tanto!

Por fim nos alenta o justo parafrasear da poeta Carolina Salcides em sua muito particular comparação:  "como o vinho posso ser seca, tinta, suave, encorpada. Me diga teu gosto que assim serei, para ser degustada, e, aos pouquinhos, então desvendada. A mulher é como a uva. Tantas partes a compõe. Ela não é uma. Ela é o todo. Provarás um gomo e a quererás toda. A casca, o suco, a semente. O cacho todo. Quando é doce, azeda, ácida, amarga. Porque há mulher para todos os gostos. E uma só, tua, para todos os teus gostos."

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