domingo, 27 de setembro de 2015

A Avaliação Nacional de Vinhos – safra 2015 - e os 16 vinhos mais representativos

 Novamente tendo como palco os pavilhões do Parque de Eventos de Bento Gonçalves, a Avaliação Nacional de Vinhos safra 2015 foi um show! A 23ª. edição do evento carregou consigo o peso de mais uma vez ser a maior degustação coletiva de uma safra do mundo, 850 pessoas puderam conhecer as 16 amostras de base espumante, vinho tinto e vinho branco escolhidas como as mais representativas pelo corpo de enólogos da Embrapa entre as mais de 300 inscritas.

16 amostras de 312 inscritas puderam ser degustadas
O público presente mais uma vez era formado por produtores, distribuidores, estudantes de enologia, enólogos, imprensa e apaixonados pelo mundo do vinho que somaram-se ao painel composto por 15 personalidades do mundo do vinho e mais uma pessoa do público escolhida por sorteio no evento.

Bases para espumante, brancos e tintos foram apresentados
A painelista Sônia Denicol afirmou em seu comentário sobre uma das amostras que gosta, curte, estimula e valoriza o vinho brasileiro, segundo ela, “um pais em que se faz ótimos vinhos”.
 
Parque de Eventos de Bento Gonçalves foi o palco da maior degustação coletiva de uma safra do mundo 

Público de 850 pessoas prestigiou o evento

Este ano a organização passou adotar a tecnologia para os apontamentos e notas das amostras apresentadas. Através de um sistema totalmente digital via intranet as notas do público e a dos jurados, mais a dos enólogos da Embrapa imediatamente foram conhecidas de maneira ágil e precisa. Cada pessoa recebeu senha e login próprios para acessar a ficha digital de seu smartphone ou tablet e o sistema computou imediatamente o conceito dado por cada integrante da plateia, calculando a mediana do público a cada amostra servida. 
Enófilos, especialistas, enólogos, imprensa, estudantes e apaixonados pelo vinho utilizaram pela primeira vez o sistema digital de avaliação
Juliano Perin, presidente da ABE – Associação Brasileira de Enologia – em seu pronunciamento elogiou o trabalho da Embrapa e ABE pelo seu empenho e dedicação a cada safra e fez questão de frisar as inovações para este ano na Avaliação. “Abram as asas para o bom vinho brasileiro que é a grande estrela deste evento. Apreciem com moderação e tenham ótimas sensações. Vida longa ao vinho brasileiro e a ANV” encerrou.

Juliano Perin

O tradicional agraciamento com o Troféu Vitis Amigo do Vinho Brasileiro este ano foi para Rosane Marchetti, jornalista e apresentadora de TV e o Troféu Vitis Destaque Enológico foi para Alberto Miele, Doutor em Viticultura, consultor do CNPQ e fundador da Confraria Cavaleiros do Vinho da Serra Gaúcha e do Congresso Brasileiro de Viticultura e Enologia e também editor da Revista Brasileira de Viticultura e Enologia.

Rosane Marchetti
Alberto Miele
As degustações da amostras iniciaram com as bases para espumantes, depois vinhos brancos e por fim vinhos tintos. Destacou-se entre as bases de espumante e os vinhos brancos o Moscato Giallo da Vinícola Don Guerino, de cor palha claro e aromas florais com uma nota defumada e um acidez em boca e citricidade ímpar e 11,8% de graduação alcoólica. Também o Riesling Itálico da vinícola Luiz Argenta com sua cor palha com reflexos esverdeados e que apresentou aromas de abacaxi, pomelo, frutas brancas, jasmim e boca de acidez correta com retorno do floral e frutas brancas.



Já nos vinhos tintos foram apresentadas amostras de Merlot, Cabernet Franc, Ancelotta, Teroldego e Tannat. O Cabernet Franc da Valmarino esteve novamente presente assim como na edição passada e trouxe consigo a coloração rubi violáceo profundo, destacando aromas de amora, cassis, ameixa, alcaçuz, violetas e toque balsâmico, assim como violetas e algo terroso. Ótima acidez, muito persistente e amplo, jovem e fresco ao paladar. Destaque também para o Merlot da Miolo, um vinho já em contato com barrica de carvalho, cor púrpura, aromas muito frutados – ameixas, cerejas e amoras - também avelãs, suor, couro, melaço e compota e boca ampla, vigorosa com muita estrutura e taninos redondos.  Houveram dois exemplares da casta Tannat – casta ícone do vizinho Uruguai – que mostra que tal varietal pode encontrar um ninho muito interessante do lado de cá em território brasileiro. 

  

Os 16 vinhos mais representativos entre os 312 inscritos:


1. Base espumante - Chardonnay - Domno do Brasil
2. Base espumante - Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico - Chandon do Brasil
3. Base espumante – Pinot Noir - Valduga
4. Branco não aromático - Riesling Itálico- Luiz Argenta
5. Branco não aromático – Chardonnay – Cooperativa Nova Aliança
6. Branco não aromático – Chardonnay – Vinícola Basso
7. Branco aromático – Sauvignon Blanc – Vinícola Santa Augusta
8. Branco aromático – Moscato Giallo – Vinícola Don Guerino
9. Tinto Jovem – Merlot – Vinícola Salton
10. Tinto – Cabernet Franc – Vinícola Valmarino
11. Tinto – Merlot – Vinícola Perini
12. Tinto – Merlot – Miolo
13. Tinto – Ancelotta – Vinícola Garibaldi
14. Tinto – Teroldego – Vinícola Monte Rosário/Rotava
15. Tinto – Tannat – Vinícola Aurora
16. Tinto – Tannat – Vinícola Dunamis 

O painel de personalidades que comentaram as amostras foi formado por:


Delto Garibaldi – Enólogo do Ano 2014 – Brasil
Claudia Quini – Vice-Presidente da OIV – Argentina
Philippe Mével – Engenheiro Agrônomo e Enólogo – Brasil
Victor Torres Alegre – Doutor em Enologia – México
Fernando Petenuzzo – Presidente da Associação de Enólogos – Uruguai
Sônia Denicol – Sommelier – Brasil
Evan Goldstein – Jornalista – Estados Unidos
Eugenio Echeverria  - Presidente The Wine School – Brasil
Laurent Seramour – Vice-Presidente Challenge International du Vin – França
Alessio Giacomini – Professor Universidade de Pádova – Itália
Eduardo Milan – Revista Adega – Brasil
Roberto Rabachino - Presidente da Federação Internacional de Sommeliers – Itália
Alexandre Mendes de Oliveira – Diretor Comercial da Verallia do Brasil – Brasil
Caio Paduan – Ator – Brasil
Firmino Splendor – Fundador e 1º presidente da ABE – Brasil
Paolo Borin –  Sommelier – Bento Gonçalves – Sorteado no público

Pelos corredores:


Miguel Ângelo Almeida e Bruna Cristófoli, ambos enólogos, ele Miolo e ela Cristófoli estavam radiantes com as amostras deste ano.

O enólogo André Larentis atestou que a geada de setembro castigou muito pouco as recém brotadas videiras no Vale dos Vinhedos, principalmente devido a constante neblina que cobre o vale. Já Zeca Venturini, da vinícola Góes e Venturini, estima que os efeitos da referida geada de 12 e 13 de setembro tenha diminuído a produção em cerca de 200 milhões de kg de uva. Muitos produtores de Flores da Cunha gaúchos tiveram até 80% da safra perdida pela incidência.

Shana Muller, Ernesto Fagundes, Cristina Sorrentino e Vitor Custódio, fizeram o show de encerramento que emocionou os participantes em uma homenagem póstuma ao tradicionalista Nico Fagundes.

Alejandro Cardozo, o “mago das leveduras” e talvez o mais exponencial enólogo a trabalho no Brasil, era só sorrisos após o tour de incursão a região vinícola da África do Sul de onde recém regressou junto com a Confraria de Vinhos de Bento Gonçalves.

Estudantes de enologia mais uma vez foram um show a parte realizando o serviço de forma impecável 







Público pode conferir as propriedades organolépticas dos vinhos






2 comentários:

  1. Sempre uma bela festa. Pena esta ano eu não ter podido ir amigo Emerson

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    1. Grande amigo Álvaro! sentimos sua falta! Até a próxima, abraço

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