quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A panela de barro


A produção artesanal de panela de barro é uma das maiores expressões da cultura popular de Vitória e do Espírito Santo. A técnica na produção, assim como a estrutura social das artesãs, pouco mudou em mais de 400 anos, desde quando era produzida nas tribos indígenas. Para fazer as panelas, as artesãs retiram a argila do Vale do Mulembá, na Ilha de Vitória. Do manguezal que margeia a região de Goiabeiras é extraída a casca da Rhysophora mangle, popularmente chamada de mangue vermelho. Essa casca permite extrair a tintura impermeabilizante de tanino, com a qual são pintadas de negro as panelas, quando quentes. A arte de confeccionar as panelas de barro foi herdada das culturas tupi-guarani e transmitida por várias gerações. Desde 2002 o ofício de fazer panelas de barro é reconhecido nacionalmente como um Bem Cultural de Natureza Imaterial e titulado como Patrimônio Cultural Brasileiro.
 
 

A aplicação do tanino nas panelas é feita da seguinte forma: com uma vassorinha embebida em tanino, bate-se, vigorosamente, na peça ainda quente, imediatamente após sua retirada do fogo. Esse processo de impregnação é conhecido como "açoite". Como resultado, o tanino penetra nos poros da cerâmica, cobrindo fissuras e tornando-a impermeável, servindo também para impedir a proliferação de fungos, que, com o correr do tempo, esfarelam o barro.

Com a coloração escura da panela é possível obter uma melhor concentração do calor, facilitando, dessa forma, o cozimento e a conservação dos alimentos. As panelas, depois de modeladas, ficam em lugar ventilado e protegido do sol até secarem completamente. Só depois é efetuada a queima, não em forno, mas em fogueiras a céu aberto - método bastante primitivo adotado por tribos indígenas.

A queima também é feita dentro de um procedimento ecologicamente correto, já que não há desmatamento de árvores da região. Para fazer o fogo são utilizados restos de madeiras, principalmente da construção civil. Apesar desse tipo de madeira nem sempre possuir o melhor poder calorífico, o resultado final é satisfatório desde que o calor produzido seja intenso, uniforme e dure o tempo necessário.



Fabricação

Mesmo em tempos de refinados designers e alta tecnologia, a panela ainda é fabricada do modo tradicional. A massa da mistura de argila, terra e água é moldada numa máquina e é manualmente que os ajustes de rebarba e sobras são feitos, dando aquele toque especial nos contornos. O torno ainda precisa de um artesão habilidoso para a massa não virar só um amontoado de barro e virar uma panela ou utensílio de cozinha. Em média, alguém com bastante experiência na moldagem leva menos de 5 minutos para dar forma a uma tradicional panela de barro. Depois de moldadas elas vão para o forno de lenha e ficam por volta de 40 horas já ganhando aquele brilho natural. Após esfriar ainda ganham um banho de esmalte. Depois ainda passam por um processo de um túnel de calor por 18 horas para definitivamente evitar rachaduras e dar mais durabilidade, para a peça ser resistente nas chamas por longos anos.


São as melhores para a saúde

Quando os mais velhos dizem que as panelas de ferro e barro são as melhores para a saúde, não é exagero. As panelas mais modernas feitas com revestimento antidaderente e alumínio vão com o tempo de uso transferindo esse material para a comida, causando problemas no sistema nervoso ou até provocando cefaléia e anemia. As panelas de barro com menos de 20 anos já entram nesse processo de banho de esmalte e são mais seguras e não contém chumbo, o que as mais antigas feitas sem o tratamento químico geralmente tinham.

 
Cuidados e conservação

É aconselhável ao comprador das panelas de barro fazer uma outra queima antes de utilizá-las na cozinha. Para isso, deve-se colocar dentro da panela 2 colheres de óleo de cozinha, de preferência óleo de oliva, levando-a em contato com o fogo. O óleo queimará e, quando a fumaça começar a ficar preta, o fogo deve ser apagado. Tudo isso para que os materiais usados na confecção das panelas não interfiram no sabor da comida.

 
Comidas típicas

Todas as comidas de fazenda, geralmente cozidas nos fogões a lenha como o arroz, feijão e carnes eram feitas com a panela de barro. Ela é mais indicada também para comidas que têm bastante molho ou líquidos como as feijoadas. Demora mais tempo para o preparo, mas todos concordam no final que o sabor compensa a espera. A galinhada feita no Paraná e o vatapá dos baianos geralmente são melhores quando feitos em fogo de lenha e panela de barro.

 
Fonte: Secretaria de Turismo Prefeitura Municipal de Vitória

 

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