quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Cozinhando a quatro mãos!


A cozinha antes marginalizada e escondida em um ambiente fechado onde o cozinheiro era um escravo gastronômico passou a ser o principal cômodo da casa para recepções e confraternizações.

A própria arquitetura e o projeto da parte social das residências vêm sendo idealizados para ambientes integrados e amplos, onde cozinha, sala de jantar e estar se fundem em um único espaço. E é nestas dependências que grandes receitas e pratos são preparados, impulsionados por vinhos magníficos e boas conversas. E além deste espaço privilegiado uma outra tendência já comum na Europa e de um tempo para cá, no Brasil, a “cozinha a quatro mãos”, desponta como uma divertida opção para as funções em casa ou fora dela. Dois gourmets, trabalhando em conjunto, afinados pela maestria culinária, conseguem otimizar o tempo de preparo e as opções do cardápio, dando uma dinâmica toda especial ao jantar proposto.

Esta grata experiência realizei outro dia em parceria com o amigo Sandro Laste, onde a quatro mãos montamos uma Moqueca Baiana legítima, com os três ingredientes que a diferenciam da capixaba: a pimenta de cheiro, o leite de côco e o azeite de dendê. A receita da moqueca é notória, mas cabe ressaltar as boas modificações realizadas nesta preparada pela dupla.
Uma delas foi a elaboraçãoo de uma base com vários ingredientes picados - a cebola, os pimentões, o alho, o tomate – refogados em uma mistura de óleo de canola e azeite de dendê, sem adicionar água, formando uma pasta que usou-se para encorpar a moqueca. Outra providência feita foi passar os legumes fatiados em óleo de canola e uma colher de manteiga de garrafa antes de levar a panela de barro, assim como selar as postas de côngrio em fogo alto. O resultado dessas implementações foi simplesmente fantástico, trazendo uma leitura de sabores e texturas diferente e inovadora.

E esta inovação é mais uma das facilidades de se cozinhar a “quatro mãos”. Experimente!

Artigo publicado no Jornal Gazeta do Sul.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Outstanding in The Field

A Vinícola Miolo foi a escolhida para sediar a etapa gaúcha do Outstanding in The Field, evento de culinária ao ar livre idealizado pelo chef e artista californiano Jim Denevan. Será montada uma mesa no meio dos vinhedos com menu preparado pelo chef Carlos Kristensen (leia-se Restaurante Hashi), com pratos harmonizados com vinhos Miolo. O evento será em 11 de março. O evento itinerante Outstanding in the Field já percorreu os Estados Unidos, Canadá e Europa. Desde 1999, Denevan e seu grupo realizam os eventos ao ar livre em locações inusitadas que vão desde fazendas a cume de montanhas e cavernas no mar. É a primeira vez que será realizado no Brasil. Além do RS, haverá eventos em Santa Catarina e São Paulo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Joaquim Rosé 2008


Discriminado no passado – ao menos no Brasil – e levado a condição de ícone de elegância nos dias atuais, o vinho rose tem habitado as taças dos melhores restaurantes e recepções país afora. Pode ser produzido por meio de uma cuidadosa mistura de vinho tinto com vinho branco; ou por uma leve maceração das uvas pretas no mosto. Envolve um misto dos processos de vinificação do vinho tinto – início - e do branco – final, onde segue para uma cuba de aço inoxidável, para se obter aromas frutados e frescos. Na Europa Mediterrânea os vinhos roses são bastante apreciados e muito consumidos principalmente no verão. Um bom exemplar na linha de vinhos rosés é o Joaquim Rosé 2008, da Serra Catarinense, produzido com videiras localizadas em grandes altitudes. Tem cor límpida e muito brilhante cor rósea salmão e apresenta aromas intensos de frutas vermelhas maduras e notas florais. No paladar é equilibrado apresentando fruta, acidez, madeira e amargor sintonizados e em harmonia. Possui 13,5% de graduação alcoólica e ideal ser bebido resfriado entre 10 e 12°C.

E lembre-se: se beber, NÃO DIRIJA!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Posições


Há muito tempo não a via. A única lembrança que tinha era a dos tempos de colégio, quando sentavam juntos, lado a lado, às vezes um a frente e o outro atrás. Ele, mais jovem, era imaturo como os homens teimam em ser. Ela, mais segura, retentora de grandes virtudes morais e dona de um esplendoroso corpo de quase "metreoitenta", que destoava de seus primaveris dezesseis anos. Ele nutria por ela uma paixão juvenil, de espinhas e puberdade, mas uma pura e idealista paixão. Por outro lado, ela sentia por ele apenas um fraternal carinho, nada a mais, o que o trazia decepções e desencantos. Sua atenção era voltada a homens mais velhos, descompromissados de qualquer coisa, alternativos no jeito de ser e pensar e que paginavam desprezando o amor que ela derramava por eles. Vivia constantemente na contramão dos sentimentos. Pelas estradas do destino cruzaram-se algumas vezes, ele ora envolvido e ela ora solteira; ela ora compromissada e ele ora em busca de novas aventuras e experiências diversas. Seus olhares continham sentimentos loucos para se tornarem reveladores, mas nenhum dos dois avançava ou sequer sinalizava o caminho. E a vida distribuiu-os cada qual para um lado. Os tempos passaram, os amores também e certa feita um bendito email instigador das eras modernas fez com que se encontrassem novamente. E depois de muitas trocas, telefonemas, risadas e confidências marcaram o fatídico dia para verem-se mais uma vez e novamente. Era chuva – e como chovia! -, o carro parado no estacionamento do velho prédio onde ela agora morava. Ela esperava-o com uma sombrinha aberta só não maior que o seu sentir que misturava ansiedade, surpresa e apreensão. Ele encontrou-a carregado de vinho e ingredientes para um derradeiro jantar romântico. Abraçaram-se sob a sombrinha, sob a chuva, sob um universo que sempre conspirou contra mas que agora assistia-os de camarote. E foi um abraço do tamanho do mundo, eternizado nas películas dos melhores filmes românticos. Abriu-se um vinho, abriu-se outro vinho, o jantar foi preparado por ele, confissões, vino veritas e a noite acabou envolvendo-os como sempre desejaram mas que nunca haviam sequer imaginado. E mais noites vieram, mais dias também, as idas e vindas foram constantes, ora cá ora lá e como tudo na vida, a complexidade de um relacionamento mais sério assustou os apaixonados e acabou separando-os de uma maneira rompante, quase dramática. Ela nunca mais foi vista. Sumiu, mergulhada em novas paixões e novos romances e, pelo que falam, novas decepções. Nunca mais achou alguém como ele. E a ele, um amante das coisas boas da vida entre elas a cozinha, sobrou apenas a lembrança de um dos pratos de que ela mais gostava - agora preparado para uma nova e verdadeira paixão - os Canapés de Caviar de Salmão com Cheese Philadélfia e Cebolinha e, moleca do jeito que ela era, a lembrança de uma de suas brincadeiras preferidas, trocar as ovas de posição sobre as torradinhas lambuzadas com o creme de queijo. A seguir a receita desta inebriante crônica dois por dois.



Ingredientes:
Torradinhas para canapés
Caviar de salmão
Cream cheese ou cheese philadélfia
Cebolinhas picadas
Raspas de limão siciliano
Gotas de limão siciliano
Preparo:
Montar os canapés colocando um pouco de cream cheese em cada um com uma espátula ou pequena colher. Sobre elas dispor o caviar de salmão, um pouquinho em cada e pingar uma gota de limão em cada canapé. Distribuir a cebolinha verde picada e as raspas de limão siciliano. Servir acompanhado preferencialmente de espumante brut rose.

Artigo publicado no Jornal Gazeta do Sul.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

La Flor Sauvignon Blanc 2009


Um dos vinhos branco que gosto muito de harmonizar com variados pratos são aqueles elaborados com a saborosa Sauvignon Blanc, uva pequena e amarelada que traz consigo acidez própria para quebrar alguns ingredientes, amplo frescor e jovialidade e conhecida mineralidade e caráter frutado quando produzida no Novo Mundo. Originária da França é lá que costuma alcançar excelência daquele terroir, principalmente em vinhos produzidos na região do Loire. Pode ser cortada com as uvas Sémillon, em Bordeaux ou entrar na composição dos vinhos doces de Sauternes e Barsac. No Novo Mundo – principalmente na Nova Zelândia – encontrou solo e clima perfeitos e projetou os vinhos desta casta daquele país no mundo. Na América são reconhecidos os Sauvignon Blanc do Nappa Valley nos Estados Unidos e também os chilenos. Para brincar um pouco com estas referências, provei um SB argentino, diverso em clima e solo dos acima citados, mas igualmente interessante, o La Flor Sauvignon Blanc 2009, de filiação de Carlos Pulenta, renomado vinhateiro da Argentina. Sua cor amarelo esverdeada prepara a curiosidade do que está por vir, um vinho leve, com ótimo frescor e acidez amarrada, sem excessos ou faltas. Os aromas pronunciados de frutas cítricas dão vazão a um final de boca muito agradável, convidativo a mais uma taça. Bem equilibrado no paladar além de frutado. Ideal ser consumido na temperatura entre 8 e 10°C. Possui graduação alcoólica de 12,0%. Harmoniza bem com comida japonesa, saladas, frutos do mar, alguns risotos, canapés e carnes brancas.

Se beber, NÃO DIRIJA!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O delicioso Salmão!

Depois de um mês curtindo férias do espaço enogastronômico da Gazeta do Sul, estou de volta e no embalo destes dias mais quentes, trouxe comigo uma receita muito agradável para ser preparada seja num almoço ou no jantar. Tenho particular atração por frutos do mar, talvez porque os tenha descoberto somente na vida adulta, e entre eles o salmão é um de meus preferidos, desde que preparado sem aquelas maquiagens de molhos de maracujá, queijo ou tudo o mais que sirva para deixá-lo com sabor alterado parecendo qualquer coisa menos um salmão! Gosto de acompanhá-lo com batatas mas mandioquinha ou batata-doce ou um salteado de legumes na manteiga também podem ser usados sem proibição. Acompanhe a receita do SALMÃO EMPANADO EM FAROFA DE AMÊNDOAS.


Ingredientes:
(para 4 pessoas)

1,2kg de filé de salmão
farinha de trigo
dois ovos batidos
3 fatias de pão de sanduíche dormido
4 colheres de sopa de amêndoas (ou nozes)
Limão
Alecrim seco
Pimenta branca
Sal
Azeite de oliva

Preparo:

Tempere o filé de salmão com limão, sal e pimenta branca. Coloque as amêndoas num processador e processe-as rapidamente. Em seguida adicione o pão dormido e bata junto para virar um pão moído. Junte o alecrim. Polvilhe uma camada de farinha de trigo, batendo para retirar o excesso. Pincele o ovo batido e em seguida coloque uma camada do pão com amêndoas. Regue com um fio de azeite, coloque num refratário untado com azeite e leve ao forno pré-aquecido a 200°C por cerca de 40 minutos. Sirva acompanhado de batatas e salada de agrião.

Artigo publicado no Jornal Gazeta do Sul de hoje.

O salmão

O salmão continua sendo a grande estrela das mesas dos restaurantes e cozinhas de chefs por aí afora. É um peixe de carne tenra e saborosa, com baixa porcentagem de gordura e rica em ômega 3, um ácido graxo que muitos benefícios traz ao corpo humano. O seu consumo é tão difundido que alguns médicos e especialistas em saúde prescrevem que seja consumido três vezes por semana, pois dizem que é excelente para quem quiser acabar com as rugas e dar uma “levantada” no rosto sendo sensíveis as diferenças no tônus da pele que se torna mais viçosa. E não são poucos os que recomendam seja essa carne consumida com regularidade. Todavia, por se tratar de um peixe cuja carne tem uma textura delicada é preciso saber prepará-la. Um cozinheiro inexperiente pode tornar a carne de salmão seca e intragável. Já com um pouquinho de cuidado sensibilidade será capaz de realçar todo seu divino sabor deixando-a tenra, úmida e macia. A carne de salmão, quando bem preparada é acomedida de um grande pecado: de tão boa, vicia! Se faz muito importante não obscurecer o sabor original do salmão com molhos disto e daquilo. O principal é usar poucos condimentos e acompanhar harmonicamente o prato.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Vindima do Vale dos Vinhedos

O Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves abriu oficialmente a vindima que segue até março com atrações para os turistas. A qualidade da safra provada surpreendeu os produtores e projeta excelentes resultados. A abertura oficial da vindima no Vale dos Vinhedos, realizada no sábado, 28, no Hotel Villa Michelon, movimentou o roteiro neste final de semana.

Uvas brancas, rosés e tintas foram colhidas no Parreiral Modelo do referido hotel. Já com os cestos cheios era hora de voltar para a Casa do Filó e o Memorial do Vinho para o momento da pisa. Com os pés nas uvas, a rainha do Vale dos Vinhedos, Vanessa Crestani, e as princesas Letícia Dal Magro e Camila Milani, começaram a pisa, que foi seguida por crianças e visitantes.
Dali os participantes seguiram para o Salão da Comunidade 8 da Graciema onde aconteceu a bênção aos vitivinicultores e o filó italiano. “A festa deste ano foi a mais animada de todas. Comunidade e visitantes se divertiram como nunca”, comemorou o diretor do Hotel Villa Michelon, Moysés Michelon.

Copa, queijo, salame, pães, cucas e vinhos, espumantes e suco de uva de 16 vinícolas associadas à Aprovale, além do artesanato regional, rechearam o evento. A festa, que iniciou às 17h, se estendeu até a meia-noite. Os visitantes do Brasil e do exterior, aproveitaram a programação para viver a experiência de colher e pisar uvas, além de se divertir em um filó italiano regado a produtos coloniais, jogos típicos e muita cantoria.

As atrações oferecidas pelos empreendimentos em torno da vindima – vinícolas, hotéis, restaurantes -, seguem até 11 de março devendo atrair cerca de 50 mil turistas, 14% mais que no mesmo período do ano passado.