domingo, 13 de abril de 2014

Relação completa dos vinhos premiados no 7º Concurso Internacional de Vinhos do Brasil


O mundo na taça. Assim pode-se definir o que foi o 7º Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, consolidado como o maior da América Latina e um dos mais reconhecidos do mundo. A maior edição da história do evento registrou 709 amostras de 18 países, de todos os continentes, um aumento recorde de 41% em relação a edição anterior, que comprova o tamanho do mercado e do setor vitivinícola brasileiro. Realizado de 8 a 11 de abril no Hotel & SPA do Vinho, no Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, reuniu um painel internacional de 66 degustadores de 11 países, que concederam 212 medalhas, sendo 88 de Ouro e 124 de Prata, somando 30% do total de amostras inscritas conforme rege as normas internacionais.

As impressões do júri formado por enólogos e experts brasileiros e internacionais, além de jornalistas especializados, em torno de cada amostra, foram compartilhadas em um sistema de avaliação totalmente informatizado, garantindo maior agilidade e segurança na captação e tabulação dos dados.

As 709 amostras de 18 países (África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Bolívia, Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Hungria, Israel, Itália, México, Nova Zelândia, Portugal e Uruguai) representaram terroirs de todos os continentes: África, Europa, América, Ásia e Oceania.

Segue a relação dos premiados:
 
 




Foto: Gilmar Gomes
 

 

 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Frango ao molho cítrico


 
Versátil, leve e saborosa, as receitas de frango se dão bem com variados molhos

 
A carne de frango para muitos talvez seja a mais sem graça entre todos os tipos que existem. O seu baixo custo, a facilidade na criação e abatimento e o fato de ser uma das mais presentes na mesa do brasileiro pode oculatr um pouco o brilho de seu preparo. Mas, devido exatamente a esta facilidade toda, é uma das carnes que melhor acompanha um sem número de preparos e molhos. As frutas cítricas, por exemplo, trazem frescor e aromas ricos as carnes brancas, principalmente no preparo de frango. E a receita de hoje usa esta maleabilidade toda na elaboração do Peito de frango ao molho cítrico.


Ingredientes:

(para 4 pessoas)


1 kg de peito de frango desossado e sem pele

Meia xícara de suco de laranja

Meia xícara de suco de limão fresco

Uma colher de sopa de açúcar mascavo

Uma colher de sopa de molho de soja

Dois dentes de alho picados

Meia colher de chá de páprica

Pimenta calabresa em flocos à gosto

Duas colheres de chá de azeite de oliva



Preparo:

 

Dispor os peitos de frango num refratário cortados ao meio. Numa tijela misturar o suco de laranja, o suco de limão, o açúcar mascavo, o molho de soja, o alho, uma colher de azeite de oliva, a páprica e a pimenta. Misturar bem e regar o frango com esta mistura. Levar à geladeira por 2 horas, virando uma vez para os pedaços ficarem marinados por completo. Aquecer uma frigideira grande e antiaderente com azeite de oliva, retirar o frango da marinada e colocar para fritar. Não descartar a marinada. Tampar e deixar cozinhar o frango cerca de 5 minutos cada lado. Enquanto o frango cozinha, colocar a marinada numa panela pequena e cozinhar por cerca de 10 minutos para reduzir e engrossar. Quando frango estiver pronto, retirar da frigideira, servir e regar com a marinada quente, preferencialmete acompanhada de arroz branco.

 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

7º Concurso Internacional de Vinhos do Brasil começa amanhã

 

Evento promovido pela ABE e INNER Editora bate recorde de amostras e países, reunindo especialistas do mundo inteiro para degustar 709 amostras de todos os continentes

 

Um painel de 66 degustadores de 11 países se reúnem amanhã, 8 de abril, no Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, para degustar 709 amostras de 18 países inscritas no 7º Concurso Internacional de Vinhos. Até sexta-feira, eles estarão degustando, às cegas, amostra por amostra. Promovido pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), em parceria com a INNER Editora, responsável pela publicação da Revista Adega, Almanaque do Vinho e Guia Adega Vinhos do Brasil, o concurso tem a chancela da Organização Internacional da Uva e do Vinho (OIV) e da União Internacional de Enólogos (UIOE).

 
As impressões de enólogos e experts brasileiros e internacionais, além de jornalistas especializados, em torno de cada amostra, serão compartilhadas em um sistema de avaliação totalmente informatizado, garantindo maior agilidade e segurança na captação e tabulação dos dados. Implantado ainda na edição de 2010, o sistema apresentou excelente desempenho, colocando o concurso entre os mais organizados do mundo. “Cuidamos de cada detalhe para garantir o sucesso do evento, desenvolvendo cada etapa com total transparência e segurança”, destaca o presidente da ABE, enólogo Luciano Vian.
 
 
 
Com uma gigantesca e ao mesmo tempo minuciosa estrutura, as degustações acontecerão nesses quatro dias no Hotel & SPA do Vinho. Nomes como o do francês Jean-Marie Aurand, diretor da OIV, e Santiago Jordi Martin, presidente da Federação Espanhola de Enólogos, integram a lista de grandes nomes, ampliando o prestígio do concurso. Também participam como degustadores o presidente da Associação de Enólogos do Uruguai, Fernando Pettenuzzo, além de Estela De Frutos, do Instituto Nacional de Vitivinicultura do Uruguai (INAVI); do chileno Eugenio Lira, da Associação de Enólogos do Chile e de Juan Arizu, da Associação de Enólogos da Argentina.

 
As 709 amostras de 18 países (África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Bolívia, Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Hungria, Israel, Itália, México, Nova Zelândia, Portugal e Uruguai) representam terroirs de todos os continentes: África, Europa, América, Ásia e Oceania. “Esta é uma oportunidade única para diagnosticar a evolução dos vinhos e espumantes do mundo inteiro, respeitando suas particularidades”, considera Vian. Para Christian Burgos, Publisher da INNER Editora, o momento é histórico. “Demos um importante passo na consolidação do concurso. Atraímos novas marcas, novos países, fortalecendo nossa vitrine mundial”, avalia.

 
A parceria entre a ABE e a INNER Editora alcançou seus objetivos, ampliando o volume de amostras em 41%, passando de 503 em 2012 para 709 nesta edição. Este resultado confirma a superação do desafio de antecipar a data do concurso em função da Copa do Mundo no Brasil. Outro importante benefício, fruto desta parceria, poderá ser visto após o término do concurso com a ampliação da divulgação dos resultados. “Agora, o Concurso Internacional de Vinhos do Brasil passa a ter uma janela internacional com vista para o mundo, o que torna o evento muito mais atraente às vinícolas”, comemora o presidente da ABE.

 
Com esta nova estratégia de divulgação, pela primeira vez o resultado do concurso será amplamente divulgado na maior feira de vinhos da América Latina, a Expovinis 2014, em São Paulo. Lá, uma degustação com a seleção de rótulos premiados permitirá a formadores de opinião conhecer o terroir e a qualidade de diferentes procedências.

 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Os cortes de carne bovina


São muitos os cortes de carne bovina. E o interessante é que, de acordo com a cultura, cada povo desmembra a carcaça diferentemente. Os americanos possuem cortes que por aqui não temos, os argentinos são semelhantes aos brasileiros mas preservam a sua identidade, os italianos tem variações por região.  Os cortes também sugerem preparos diferentes. Entrecote, picanha, maminha vão muito bem na brasa. Costela, chuleta e acém na panela não fazem feio. Cupim vai bem no forno. Segue abaixo um pequeno resumo dos cortes brasileiros e de como prepara-los.


Acém

Econômica, macia e com pouca gordura, pode ser usada moída ou no preparo cozidos, carne de panela, ensopados, picadinhos, refogados, ou preparadas com molho.

Alcatra

É um corte macio e se divide em: ponta de alcatra, ideal para bifes; e a alcatra propriamente dita, boa para assados, grelhados e picadinhos. Também fica excelente no churrasco, tanto no espeto como em bifes grossos na grelha. Mas evite cortes finos, pois a carne pode ressecar.

Contrafilé

Localiza-se na parte externa da coluna vertebral. Acamada de gordura na lateral deixa a carne saborosa e macia. É indicada para o preparo de bifes de chapa, estrogonofe, grelhados, medalhões e churrasco. Escolha uma peça com a manta de gordura uniforme para mantê-la tenra e suculenta. 


Coxão duro

Corte grande, com fibras alongadas e consistência firme, envolvido por uma capa de gordura. Para ficar macia deve ser cozida lentamente, e por isso é indicado para ensopados, molhos e sopas.

Coxão mole

O músculo arredondado, com fibras curtas e consistência macia. Excelente para o preparo de assados, grelhados, escalopes, bifes finos, à milanesa e até moído.


Costela

O corte, com ossos maiores e mais largos, tem sabor, textura e aroma marcantes. Seu cozimento leva tempo, pois é preciso amaciar as fibras. Mas a espera vale a pena! Utilizada principalmente em churrasco, é deliciosa.

Filé-mignon

Extremamente macio, livre de nervos, gordura e ossos, é considerado um corte nobre. Pode ser usado no preparo de estrogonofe, rosbife, filé e medalhão. Como tem pouca gordura, é preciso acrescentar óleo, manteiga, azeite ou margarina ao preparo para que não resseque.


Fraldinha

Extremamente macia, fica ótima no churrasco. Mas pode ser servida também em bifes e assados.


Lagarto

Carne de coloração mais clara, formato arredondado e alongado. Magro, com fibras longas e pouca gordura, o lagarto precisa de mais tempo de cozimento para ficar macio. Vai bem como carne de panela, carne desfiada (carne louca), assados e rosbife.

Maminha

O corte tem sabor suave e textura macia. É muito apreciada em churrascos, além de assados, grelhados e como carne de panela.

Músculo

Carne saborosa, ideal para o preparo de caldos, molhos, sopas e carne de panela. Com osso, é conhecida como ossobuco.

Patinho

Localizado na parte traseira do boi, o corte tem formato arredondado e é ideal para assados, bife à milanesa e carne de panela. Moída, é ótima para o preparo de almôndegas e bolo de carne.

Picanha

O corte tem uma espessa camada de gordura, responsável pelo sabor, suculência e maciez. Faz sucesso no churrasco, mas também pode ser usada no preparo de assados e grelhados.


Rabo

A carne, muito saborosa, deve ser cozida lentamente no preparo de ensopados e carne de panela.
 
 
Você encontra cortes nobres de chorizo argentino na Best Beef Boutique, na Rua Marechal Deodoro 05, fone 51.3902-0630, em Santa Cruz do Sul. Confira!

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O mago das leveduras!


 
O enólogo Alejandro Cardozo esteve em Santa Cruz e falou de seu trabalho nesta entrevista exclusiva
 
Foto:Daniel Arraspide

Esta semana tivemos a honra de receber em Santa Cruz do Sul, no encontro mensal da Confraria do Sagu, tradicional confraria de vinhos da cidade, um dos mais brilhantes e inovadores enólogos da atualidade, o uruguaio Alejandro Cardozo, pai dos espumantes multipremiados X Decima e Estrelas do Brasil, consultor de várias vinícolas e um inquieto pesquisador de melhores métodos e processos produtivos, principalmente na elaboração de espumantes. Acompanhe a entrevista exclusiva do “mago das leveduras” feita ao jornal Gazeta do Sul e ao blog Eu, Gourmet.

 
Nome completo: Alejandro Alberto Cardozo Rapetti

Idade: 45

Nacionalidade: Uruguai

Time que torce: Nacional de Montevideu e Palmeiras

Cidade que reside: Caxias do Sul

Formação profissional: Formado na Universidade do Trabalho do Uruguai (UTU) na Escola de Vitivincultura no ano 1993

Empresas em que trabalha(ou): Na empresa Varela Zarranz ou Vudu desde o ano 1992 ate 2002; Piagentini / Grupo Decima desde 2003 até agora; Estrelas do Brasil: sócio junto com Irieno desde 2005 até agora; Guatambu desde 2011 até agora como Enólogo Consultor; Consultor em espumantes para Varela Zarranz desde 2007 até 2010 - H Stagnari; Capel em Chile e atualmente para Garcia e Schwaderer ( Bravado Wines) em espumantes.

Mora no Brasil desde: 2003

 
Quantos rótulos você já elaborou?

Muitos! Desenvolvi toda a linha de vinhos finos de Piagentini - Decima. Também desenvolvi toda a área de pesquisa em espumantes na empresa o que chamamos de I+D+I. Ajudei a desenvolver os rótulos da Guatambu e claro esta da Estrelas do Brasil como assim também de muitas empresas que não posso citar. Desenvolvi a linha de espumantes da Varela Zarranz (4 anos melhor espumante do Uruguai). A linha de espumantes da H Stagnari junto a sua equipe técnica como assim com a Capel e Bravado Wines. Ao mesmo tempo implantamos técnicas de elaboração que são hoje muito utilizadas por toda a indústria vinícola.  
 

Como você veio trabalhar no Brasil?

A convite da Piagentini para desenvolver a linha de espumantes e vinhos finos. Assim iniciei minha história e hoje elaboramos para quase 20 empresas como empresa prestadora de serviços e alguma de essas empresas usam 100 % nosso protocolo de elaboração.

 
Além do Brasil, em quais outros países você já desenvolveu vinhos também?  

No Uruguai e no Chile.
 

É possível produzir espumantes de alta qualidade pelo método charmat? Como?

Sim. E o melhor exemplo é a Chandon que faz um trabalho excelente. Porém nós preferimos fazer um trabalho bem diferente que é inovar e essa é nossa marca registrada nos Charmat que é “frescor”. Tendo uvas de boa qualidade e fazendo um trabalho importante de inovação tanto na forma de elaborar e como fermentar isso deu em espumantes únicos frescos, cremosos  macios  que como resultado de 3 anos de afinar protocolos e método ganhamos uma grande Medalha de Ouro no Concurso Nacional de Espumantes com o nosso X Décima Brut Rosé e uma Medalha de Ouro no Concurso Vinalies 2014 um dos mais importantes concursos do mundo.

 
Você é um enólogo inovador na produção de espumantes. Fale um pouco sobre este trabalho diferenciado.

Iniciamos nosso trabalho usando a casta Viognier e fermentando as bases em barricas junto com o uso de leveduras encapsuladas. Esta combinação era quase a de um enólogo louco! O Viognier foi um sucesso até o ponto que foi o único Viognier em estar na Avaliação Nacional de Vinhos até hoje. Os champenoise elaborados com Viognier e Chardonnay barricados foi também e a prova disso pelos inúmeros prêmios que conquistaram em concurso e avaliações. Isso tudo foi entre 2005 e 2006 tanto em espumantes elaborados na Décima como para a Estrelas do Brasil. Em 2007 iniciei dentro da empresa um trabalho de I+D+I (Inovação + Desenvolvimento + Investigação) para procurar novas leveduras, métodos e tal. Lembro da frase de Albert Einsten: “loucura é querer resultados diferentes fazendo tudo igual”. Por isso em 2007 iniciamos nosso processo nos questionando por que usar as mesmas leveduras que todo mundo usa e partimos para novas leveduras antes não pensadas para espumantes e o resultado foi muito exitoso. Elaboramos entre 300 a 600 garrafas por ano em testes e fazemos uma vez por ano uma degustação para colegas do nosso trabalho de pesquisa. Em 2010 decidimos que devíamos mudar nosso estilo em elaborar espumantes charmat, pois a impressão que tínhamos é que os charmat queriam imitar o método clássico e foi ai que partimos para fazer uma mudança radical em como elaborar espumantes, o que foi um sucesso. Elaboramos espumantes claros, frescos, jovens, frutados, cremosos e elegantes a preço competitivo.  Tivemos um ótimo incremento nas vendas, premiações em concursos e aceitação pelos consumidores. Dentro desse processo para Estrelas do Brasil começamos o caminho de fermentar espumantes com rolha em vez de tampa coroa, produto este que estaremos lançando no próximo ano, tendo como resultado um espumante muito diferente! Tem muito mais inovações e métodos, mas como resumo e o que nos deixa felizes, é que muitas empresas seguem nosso caminho. Quer melhor reconhecimento que esse?

 
O Brasil - e em especial o RS - tem ainda como melhorar seus vinhos? Qual seria o caminho para isso?

Tem. Sempre temos o que melhorar, como qualquer indústria e produto. Eu acho que temos como desafio entregar ao consumidor cada dia mais produtos e maior qualidade a preço competitivo, porém para que os preços sejam competitivos deve ter uma pressão muito forte do setor no quesito “impostos” que as empresas pagam. O consumidor reclama e parece que as vinícolas estão a faturar e ganhar dinheiro e isso não é bem assim. Vejam o preço dos produtos vendidos pelas empresas e o mesmo produto a que preço chega ao consumidor. Devemos melhorar a comunicação, simplificar o consumo de vinhos e, claro, ouvir e atender a demanda do consumidor, ver o que ele deseja beber, quais são suas preferências para entregar esse produto a ele.
 

Temos espumantes produzidos em vinhedos na Serra e na Campanha Gaúcha, e a Serra do Sudeste, é um bom terroir para este tipo de vinho?
Sim, é. E o melhor é que cada uma destas regiões possuem caraterísticas próprias possibilitando ao consumidor degustar espumantes de diferentes regiões e que seja ele que decida que região ele prefere.


Ainda há algum local promissor no Brasil ideal para produção de vinhos e ainda pouco explorado?

Acho que novas regiões vão aparecer sem dúvida, pois o Brasil é muito grande e com muitas regiões e microclimas específicos. Mas entendo que o que primeiro irá acontecer é aprimorar alguma região já estabelecida e as novas aos poucos irão tomando força como os vinhos produzidos em Minas Gerais e Goiás, por exemplo.

 
Fale da produção da casta Tannat no RS. É uma uva a se apostar? Quais as diferenças no vinho Tannat uruguaio e brasileiro?

O Tannat é uma grande casta que no RS se dá muito bem, tanto na Serra quanto na Campanha. Acho que aqui o Tannat é mais frutado e possui mais cor, sobretudo pela grande amplitude térmica que temos. O bom é justamente ter Tannat para poder degustar e comparar. Há Tannats no Chile e na Argentina que ainda não chegam por aqui mais em breve chegarão.
 

 
Você é adepto a passagem de tintos por barrica? Fale à respeito.

Sim. Mas desde que a madeira seja de qualidade e bem equilibrada. Qual o grande vinho que não passa em barrica? Todos. A polêmica que envolve o tema é que a madeira esconde defeitos e tal. Enfim, o vinho é bem democrático e cada um bebe o que gosta, porém, quando o vinho tem madeira de qualidade e bem dosada, ninguém rechaça este vinho. Como tudo, se mal usado, traz resultados ruins. 
 

Numa safra ruim, de que forma o enólogo consegue extrair o máximo de qualidade e elaborar bons vinhos?

Com muito trabalho de campo, com tecnologia de vinificação, e com estoque de vinhos de safras antigas para elaborar bons vinhos. Um detalhe: as safras nunca são todas 100% ruins talvez uma safra excelente para brancos não quer dizer que é ótima para tintos e vice-versa. Temos sempre como referência que safra boa é só para tintos, para mim safra boa é para brancos sobre tudo para os vinhos-base.

 
O que você acha sobre os vinhos orgânicos e biodinâmicos? É uma tendência?

Sim. E, sobretudo em orgânicos muitos produtores estão iniciando esse caminho e outros já iniciaram. Voltei a pouco de um tour na Austrália e Nova Zelândia onde quase todas as empresas tem ou estão a ter produtos orgânicos ou biodinâmicos. Estou me referindo a produtos assim elaborados de grande qualidade.
 

 
Qual sua uva preferida?

Sauvignon Blanc é a preferida entre todas. Não canso de degustar e descobrir SB. Também gosto muito de Carignan, Tannat, Pettit Verdot, Petit Syrah e Pinot Noir.

 
Qual o melhor vinho que você já degustou?

Difícil falar em um... Degustei algumas excelentes garrafas e alguma boa que se transformou em excelente devido ao lugar e a companhia.
 

A tecnologia faz diferença na produção de vinhos? Onde ela aparece?

Sim, muito! Principalmente em safra complicadas.

 
No Uruguai temos o Tannat, na Argentina o Malbec, no Chile o Cabernet Sauvignon. Qual a casta tinta que você considera que poderá ser o cartão de visitas do Brasil?

O Brasil deve ser ter o espumante como foco que acho que se perdeu quando tentaram dar ao Merlot tal responsabilidade. Acho que isso foi uma perda de tempo e norte. Está mais que demostrado que é excelente o que aqui se faz em matéria de espumante e ainda que o consumidor não acredite, somos referência quando se fala neste vinho. Temos tudo para isso: regiões, métodos, cultivares e, sobretudo, não estamos engessados como outros países com um mesmo método ou somente algumas variedades. Aqui pode-se criar, imaginar!
 

 
Qual a sua opinião sobre a posição de alguns produtores brasileiros importarem vinhos de outra nacionalidade e distribuir por aqui? Não é um contra censo?

Não. Esta prática não tem só no Brasil, mas em muitos países onde grandes empresas aproveitam seus canais de vendas e distribuição para ofertar um leque de produtos importados. Se eles não o fazem, alguém irá fazer.


 
Qual o vinho que você elaborou que mais orgulho lhe deu?

Irineo Dall Agnol Superiore 2005

Tannat Gran Reserva X Decima 2005 

Nature Estrelas do Brasil 2007

Decima Brut Rose Charmat

Guatambu Tannat 2013

H Stagnari Brut 2008

Varela Zarranz Extra Brut 2007

 
Por que Argentina e Chile produzem vinhos médios de tão boa qualidade e preço e o que as vinícolas brasileiras podem fazer para alcançarem este patamar?

Custos de produção e impostos! Temos o que todo mundo fala do “custo Brasil” que é líquido e certo, pagamos tudo muito mais caro que a Argentina, Brasil e Uruguai. Iniciamos o processo pelo custo de produção das uvas. Pagamos aqui uvas brancas de boa qualidade R$ 2,20; R$ 2,50 e até R$ 3,00 o quilo, ou seja, isso é preço de uva top em outros lugares. Pagamos mais caro por todos os insumos. Estamos presos em um oligopólio de fornecedores de garrafas ou seja,  somos reféns de 3 empresas, praticam o preço que querem nas garrafas e se dão ao luxo de não ter garrafas para vender e deixar meses sem fornecer. Os salários e os demais custos das empresas são mais altos e a carga tributária - se comparamos Chile e Uruguai que possuem uma taxa única, o IVA, que não passa os 23%, aqui varia de 45 a 55% de impostos. Também temos uma dimensão continental o que faz incrementar os custos de distribuição. Concorremos com um comércio de freeshop e com o descaminho, ambos muito fortes. Com esse contexto não tem como sermos competitivos, iniciamos o jogo largando atrás.
 

Prato preferido?

Os extremos: carne sempre assada na brasa e muito mal passada (e com osso) e frutos do mar.

 
Restaurante preferido?

Os que trabalham com excelência e seriedade. Em minha cidade atual 3: Umai Yoo , Bottega Pace e Andreas.

 
Uma vinícola - fora as que você trabalha - que admira, seja no Brasil ou no mundo?

Baigorri na Espanha a as da Austrália Nova Zelândia pela sua simplicidade no arquitetônico e capacidade de elaboração de grandes vinhos.
 

Personalidade admirada na área do vinho?

Os viticultores e os enólogos que criam e inovam e que, com poucos recursos, fazem grandes vinhos!

 
Deixe uma dica para quem está começando a se interessar em beber vinhos:

Experimente, deguste, prove, sem preconceitos, tome o que você gosta e ao longo do caminho você irá mudando e aprimorando seu paladar e preferências. Não se deixe influenciar!

 


 

 

 

 

 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Descorchados 2014


Ocorreu ontem em São Paulo o lançamento do maior guia de vinhos da América Latina, o Descorchados 2014. Com a presença do jornalista Patrício Tapia, autor do guia, foi montada uma degustação de alguns dos rótulos presentes na edição deste ano e também de vários produtores, entre os quais Catena Zapata, Concha y Toro, Zuccardi, Juanicó, Trapiche, Achaval Ferrer, Bouza e Ventisquero entre outras.
A novidade da edição 2041 é a inclusão do Uruguai, com mapas de suas regiões e ampla avaliação de seus produtores, assim como já ocorre na Argentina e no Chile todos os anos.
Esperamos em breve vero Brasil figurando neste reconhecido guia também, inclusive já há um forte movimento neste sentido.

O guia:

Descorchados é um guia que mostra um completo panorama da indústria do vinho no Chile, Argentina e agora Uruguai e suas tendências. Na atualidade é distribuído na Argentina, Colômbia, Brasil e Uruguai, tornando-se um referencial para os vinhos da América Latina.

O melhor vinho:

 
O vinho Errázuriz The Red Blend 2011 foi escolhido como o Melhor Tinto do Chile do Guia Descorchados 2014. Com predominância de Garnacha (55%) e presenças de Syrah, Mourvèdre e Roussane.
Segundo a avaliação do degustadores o vinho caracteriza-se por apresentar cor vermelha rubi brilhante com tons violeta naa borda. A análise olfativa registra muita fruta vermelha fresca acompanhada por belos tons florais que lembram pétalas de rosas e violetas.
Surgem, além do mais, notas balsâmicas quandoo vinho se abre, lembrando dill, gengibre e um leve toque de alecrim. O registro gustativo revela um vinho fresco, atraente, com textura encantadora e delicada de taninos finos, aromas complexos e sabores que permanecem elegantemente sobre o acabamento.

 

Maior fabricante de barricas do mundo agora no Brasil


 
Tonnellerie Demptos, fabricante com sede em Bordeaux chega ao mercado nacional representada pelo Grupo Kranz

 

A maior fabricante de barricas de carvalho do mundo acaba de ganhar uma casa no Brasil. Agora cabe ao Grupo Kranz, com sede em TrezeTilias, região montanhosa do meio oeste catarinense, a comercialização da marca no mercado de vinhos e cervejas no país. Criada em Bordeaux, na França, em 1825, a Demptos possui unidades na Espanha, Hungria, Estados Unidos e África do Sul e possui volume de negócios próximo a € 175 milhões anualmente. A empresa marca sua chegada com força ao mercado brasileiro durante a Envase Brasil, feira que ocorre em Bento Gonçalves (RS) de 8 a 11 de abril.
 
“Conhecemos a Demptos durante uma feira em Bordeaux, há alguns anos. Procurávamos barricas de carvalho para nossa vinícola, em Santa Catarina e sabíamos que se tratava da maior fabricante mundial. Quando chegamos ao estande da Demptos, conversamos com seus profissionais e conhecemos suas estruturas e metodologias entendemos porque tratava-se de algo diferenciado. Quem trabalha com Demptos recebe uma assistência e tem em sua produção um item que é fabricado de uma forma muito superior, com o cuidado que a madeira para esse fim necessita”, destaca o presidente do Grupo Kranz, Walter MelikKranz.

A chegada da Demptos com força em terras brasileiras ocorre devido à aposta no crescimento da produção de bebidas de alta gama no país. O Brasil produziu em 2013, segundo dados do Instituto Brasileiro do Vinho, quase 50 milhões de litros de vinhos finos. “O Brasil é um mercado em amadurecimento e que irá crescer ao longo dos anos. Já trata-se de um ambiente importante e que possui tradição na utilização de barricas em outros segmentos, como o de cervejas artesanais e de destilados. Pensamos que há um futuro promissor”, destaca Kranz.

A Demptos possui um centro de referência mundial na pesquisa de barricas, localizado em La Rioja, na Espanha. De lá saem inovações e pesquisas que permitem a fabricação de variedades de barricas para os mais distintos tipos de produtos. Esse know-how chegará ao Brasil por meio de três linhas distintas, com as mais variadas formas de tosta, granulação e tipos de carvalhos.