quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Arigatô Kinoshita!


É noite no Hotel Holliday Inn Anhembi em São Paulo. Espero no saguão a chegada do táxi para levar-me ao compromisso agendado com vários dias de antecedência para uma experiência única: às 20:30h tenho reserva agendada no Kinoshita Kappo Cuisine, o mais estrelado restaurante japonês da atualidade no Brasil, comandado pelo competentíssimo chef mestre Tsuyoshi Murakami. Logo ao chegar no prédio instalado na esquina da Rua Jacques Félix com a Domingos Fernandes, na Vila Nova Conceição, deparo-me com a clássica sobriedade japonesa e muito vidro deixando o interior à mostra de quem por ali passa.

Uma simpática atendente vestida de gueixa encaminha-me até a mesa reservada passando ao lado do enorme balcão que serve de separação do salão e da cozinha, que é aberta, com mais de uma dezena de auxiliares preparando os pratos para os ocupantes dos pouco mais de 50 lugares que é a capacidade do restaurante. Logo sou auxiliado a sentar-me à mesa por um garçon enquanto um outro pergunta-me se gostaria de beber algo. Gosto de saquê na harmonia com a comida japonesa e digo isto ao mesmo. “Aqui no Kinoshita todos os saquês são importados do Japão, senhor”, comenta o atendente dando mostras da qualidade da noite que me aguardava.

Peço e recebo o menu para começar a escolher entre as iguarias quando sou abordado por um eloqüente e simpático nikkei que agradece a minha presença e sugere a opção do menu degustação que traz sete pratos à mesa, servidos em pequenas porções – ao final acabaram sendo dez pratos! – vindas em sequência. Tal sugestão é feita pelo próprio Murakami, um japonês sorridente, divertido e descolado, contrastando momentos da tradicional discrição japonesa e suas convenções com outros absolutamente teens!

Colocado à vontade, saquê servido, a degustação inicia e logo a primeira experiência vêm acomodada em uma taça numa composição inusitada onde soma-se ostra, ovas de salmão, pimenta e gema de ovo de codorna crua, impactando o olho e o paladar. Logo após, dentro de um caixote de cerâmica pintado em motivos japoneses é servida uma espécie de salada morna, com tomate confitado e mini berinjela, que fica apagada ante ao expressivo sabor do primeiro prato.

Sabedor desta impressão, o chef corrige a rota e começa um desfile de salmão e atum com diversos complementos e molhinhos – o shoyu é preparado no próprio restaurante - até finalizar os pratos salgados com mini fatias de filé de carne de kobe, vinda diretamente do Japão tirada do gado da raça waigu. Em grand finale um trio de sobremesas da qual a textura e leveza do bolinho de arroz é inimaginável.

Servido o menu confiança, Murakami dedica tempo a um longo bate-papo e fala de sua paixão pela leitura e pelos escritores gaúchos: ”Emerson, Mario Quintana é um de meus poetas preferidos! Também os escritores Érico Veríssimo e Caio Fernando Abreu me encantam”, afirma. E esta é a comida que ele apresenta, recheada de poesia, única e sensorial, descolada nas combinações mas absolutamente convencional no respeito aos ingredientes, a técnica e a quem está lá para degustá-la!


O chef Murakami:

Tsuyoshi Murakami nasceu em Hokkaido no Japão e veio com a família ao Rio de Janeiro ainda criança (daí o seu sotaque e ginga carioca!). É um apaixonado pelo Brasil e por sua gente e cultura. Voltou ao Japão depois de alguns anos onde estudou, especializou-se e trabalhou em diversas cidades e restaurantes, além de Nova Iorque e Barcelona. É praticante da Kappo Cuisine que é a união da alta gastronomia tradicional japonesa com a ousadia de chefs nipônicos. A KC envolve desde o ambiente intimista, o frescor e qualidade dos ingredientes, a impecável apresentação minimalista dos pratos e a técnica ocidental e oriental de seu mestre gastronômico. Murakami gosta de definir o termo como uma “cozinha de sensações”. Elaborou um menu com tradicionais ingredientes da culinária nipônica mas com toque de brasilidade em suas criações, todas para serem degustadas e apreciadas aos poucos e de corpo e alma.

O Kinoshita:

Durante algum tempo o Kinoshita ocupou um pequeno prédio no Bairro Liberdade em São Paulo, ficou fechado por um período enquanto seu chef buscava novos conceitos gastronômicos e reabriu na Vila Conceição. O Restaurante é um dos cinco do mundo a ter com exclusividade o Espaço Krug, produtor ícone francês em champanhe, em área reservada especialmente decorado e com cardápio exclusivo para harmonização com a bebida. Acompanhe algumas premiações do restaurante e de seu chef:

>Melhor Restaurante Japonês 2011 – Revista Prazeres da Mesa
>Melhor Restaurante Japonês 2011 – Revista Veja São Paulo
>Melhor Restaurante Japonês 2009 e 2010 – Folha de São Paulo
>Melhor Restaurante Moderno, Melhor Chef, Melhor Ambiente e Melhor Atendimento 2009 – Revista Made in Japan
>Chef do Ano e Restaurante do Ano 2009 – Revista Prazeres da Mesa
>Melhor Chef e Chef do Ano 2009 – Revista Quatro Rodas
>Melhor Chef 2009 – Revista Veja São Paulo
>Melhor Chef, Melhor Restaurante e Melhor Barman 2009 – Revista Gula
>Melhor Chef do Brasil 2008 – Revista Gula, Revista Veja e Folha de São Paulo

Restaurante Kinoshita – Rua Jacques Félix 405 – Bairro Vila Nova Conceição – São Paulo – SP – fone 11.3849.6940 – site: www.restaurantekinoshita.com.br

Pensador:

“A comida é como poesia”. Tsuyoshi Murakami

Artigo publicado no Jornal Gazeta do Sul de hoje.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Mais um encontro




Hoje é dia de um novo encontro da Confraria do Sagu, tradicional confraria de vinhos de Santa Cruz do Sul cuja história está contada num dos posts neste blog. A noite será dedicada ao Desafio de Mendoza e será capitaneada pelos confrades Rodrigo e Alexandre, o qual dedilhou o seguinte convite a todos:

“Caros compañeros de vino.
Mañana, miércoles 30, a las ocho de la noche, en la casa de Rodrigo, aremos más una de nuestras reuniones enogastronomicas. Vamos a chupar unos vinitos y a morfar unas carnes o pollo para los que prefieren. Decidimos llamar-la de “ El Desafío de Mendoza” pues en la fecha vamos a degustar 3 botellas que traje de aja y 3 botellas elegidas por Rodrigo de otras partes del mundo para comparar as ciegas. Tenemos unas sorpresas preparadas. Así que vengan todos. No se olviden de sus tazas.
Saludos
Alex”


Vamos lá!


Estes foram os vinhos degustados na noite do "Desafio de Mendoza":

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Salve as estatísticas!


A minha descendência judia acabou me levando pelo sangue a finanças, comunicação e comércio, tripé que pode resumir bem a vocação herdada. Nestas qualificadoras sempre fui ligado em matemática e nela a estatística, particularmente, me chama a atenção. Além de usá-la em minhas pesquisas para o meu trabalho e tudo que o cerca, eis que agora com o blog elas mensuram a saúde do mesmo e como tal, os resultados do “exame” desta ferramenta quero deixar descrito abaixo.

Do dia 25 de setembro deste ano até hoje, 29 de novembro, as 18:30h, o blog Eu, Gourmet teve 18.888 visitas, sendo 10.820 somente no mês de novembro! É um número muito expressivo e que traz cada vez mais o compromisso em levar o melhor a esta agora muito acessada página!

Veja abaixo os posts mais acessados no período:

Vinho tinto lidera a preferência: 2.810 acessos
Juju e o pão de queijo: 1087 acessos
Top 10 – Os melhores vinhos degustados: 715 acessos

Obrigado a todos pela interação e continuem contribuindo para que esta paixão pela gastronomia, vinhos, viagens e tudo o mais, ou seja, pela vida, só aumente!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Mudança!


Quando eu era adolescente tinha algumas coisas que gostava mais, outras menos e algumas, ainda - quase tudo - eu não suportava. Neste rol encontravam-se entre tantas outras coisas, comidas, e neste permeio o carpaccio. Não conseguia entender como alguém podia comer aquilo – imagina - carne crua! Cresci tendo pesadelos com o carpaccio e sonhos voluptuosos com a personagem Angel da minissérie Sex Appeal que fez sucesso na televisão lá pelo início dos anos 90! Tal personagem era uma jovem modelo de corpo magrelo e dentes salientes. Depois de algum tempo conclui que meu fascínio não era direcionado a personagem, mas sim a atriz, uma moça ainda desconhecida chamada Luana Piovani.
Com o passar dos anos a Lulu – procurei carinhosamente identifica-la assim – cresceu, encorpou, fez dezenas de personagens, recusou umas cinco capas de Playboy, namorou, armou barracos e rompeu relacionamentos com mais de duas dezenas de famosos, fato que me deixou efetivamente chateado, pois não seria comigo que a coisa poderia ser diferente. Assim, passei a ignora-la: virava o rosto quando pela estrada encontrava outdoors com seu perfil estampado, mudava de canal quando a via na televisão e passava batido as páginas de revistas com fotos suas. E também a própria musa sumiu, foi morar em Nova Iorque e cursar escola de teatro, abandonou papéis na TV e saiu da rota até mesmo dos comerciais de cosméticos e lingeries. De volta ao Brasil teve novos namorados, confusões e outros tantos barracos bem expostos pela mídia e aumentou ainda mais o seu já conhecido mau-humor.

Continuei ignorando-a até há alguns meses atrás, quando vi a sinopse de um novo filme chamado A Mulher Invisível - que virou uma gostosa série - na qual a Lulu é uma das protagonistas. E que protagonista! Ela está ainda mais alta, esbelta, linda, com corpo malhadíssimo, seios fartos, abdômen perfeito, cabelos longos e volumosos, lábios carnudos e fazendo o papel de uma amante ardente prá lá de sexy. Irei locar o DVD só para vê-la quantas vezes forem necessárias. Ah! Se vou... É uma nova Lulu! E se até ela mudou eu também posso começar a gostar de CARPACCIO.



Segue a receita desta iguaria:

Ingredientes:
(para 4 porções)
500g de carne de boi (file mignon, contrafilé ou lagarto sem gordura)
4 colheres de sopa de azeite de oliva
Suco de 1 limão
80g de queijo parmesão ralado grosso
Duas colheres de sopa de mostarda
2 colheres de alcaparras lavadas e escorridas
Sal e pimenta-do-reino moída na hora à gosto

Preparo:
Em uma vasilha misturar o azeite, o limão e mostarda, temperar a gosto e reservar. Limpar a carne e levar ao congelador até ficar parcialmente congelada. Retirar a carne do congelador e fatiar fatias finas com uma faca bem afiada. Abrir um plástico sobre uma tábua de cortar, dispor uma fatias, cobrir com outro plástico e delicadamente com a palma da mão ir batendo para deixar a fatia fina. Repetir o processo. Numa travessa dispor as fatias de carne abertas, temperar com cuidado com um pouco de sal, regar com o molho e salpicar com o parmesão, as alcaparras e a pimenta, regando tudo com um generoso fio de azeite de oliva. Servir de entrada.

domingo, 27 de novembro de 2011

Caves Velhas Romeira 2009 Tinto

O vinho comentado de hoje é o português alentejano Caves Velhas Romeira 2009 Tinto, produzido a partir das variedades Alicante Bouschet (20%), Aragonez (40%) e Trincadeira (40%). Possui cor rubi com ligeiros reflexos violáceos, muito límpido e transparente. No nariz de imediato traz algo azedo lembrando iogurte além de notas de frutos vermelhos como cereja, framboesa, azedinha e morango. Na boca mostra-se um vinho muito redondo, excepcionalmente frutado, fácil de beber e macio. É um vinho de média persistência e igual médio corpo, fresco e ligeiro. Graduação Alcoólica de 13,0% e ideal ser bebido na temperatura de 17°C. Harmonizou muito bem com uma lasanha de salmão e molho vermelho, mas também vai bem com carnes brancas assadas e vermelhas grelhadas ou com molhos, caça não muito condimentada e queijos médios. Excepcional custo-benefício!



E lembre-se: se beber, NÃO DIRIJA!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Delícia litorânea!

Em visita aos amigos Maira e Silvio Kist no litoral gaúcho, num repentino domingo de feriadão, tomei posse do freezer e armário dos mesmos para providenciar um belisco no acompanhamento de boas taças de vinho. Neste providencial ensaio criativo, acabei criando um delicioso e fácil petisco, que pode puxar a frente de pratos principais à base de frutos do mar, como bacalhau, salmão, camarão ou algum outro peixe. A seguir a receita dos Canapés de Lula à Xangri-lá.


Ingredientes:
(para 6 pessoas)

Duas baguetes de cerca de 25cm cortadas em fatias de cerca de 1cm de espessura
500g de lula cortada em anéis
uma colher de sopa de gengibre ralado
dois dentes de alho picadinhos
meia xícara de pimentão vermelho picadinho
meia xícara de cebola picadinha
4 colheres de sopa de salsinha picada
dois talos de cebolinha verde picadinha
azeite de oliva
pimenta branca moída à gosto
sal à gosto

Preparo:
Aqueça o forno a 200°C por cerca de quinze minutos e nele disponha as fatias de baguete cortadas e regadas com azeite de oliva e deixe por cerca de 10 minutos. Enquanto isso aqueça uma frigideira com azeite de oliva e nela disponha a cebola, o pimentão, o gengibre, o alho e deixe refogar. Adicione as lulas em fogo alto e refogue rapidamente até elas ficarem brancas (cerca de 2 minutos) mexendo sempre para incorporar os sabores. Adicione a pimenta, sal e os temperos verdes e mexa bem. Reserve. Retire as fatias de baguete do forno, coloque-as em um prato grande, sobre cada uma coloque um anel de lula e um pouco dos temperos, regue com um fio de azeite e sirva.

Você sabia:


Que existem cerca de 300 espécies diferentes de lula. As duas principais subordens da lula são myopsida e oegopsida. Os membros da subordem myopsida vivem em águas relativamente rasas e são as que comumente consumimos. Já a divisão oegopsida vivem no fundo do Oceano Atlântico e podem chegar a 18 m de comprimento e pesar aproximadamente 500 kg. Possuem olhos do tamanho de bolas de futebol, além de tentáculos de 10m de comprimento.Tais animais já foram tema de histórias fantásticas como a que Julio Verne descreveu em "Vinte mil léguas submarinas" na qual narra o ataque de uma lula gigante ao submarino Nautilus. As lulas podem ser consumidas em copas ou em anéis, que nada mais são que as copas fatiadas. São usadas em saladas, entradas, risotos, massas, paellas e aceitam preparações fritas, grelhadas, salteadas ou cozidas.


Artigo publicado no Jornal Gazeta do Sul de hoje.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Toda vez que atravesso a Ipiranga esquina São João...


Estou a trabalho em São Paulo, este centro cosmopolita da América Latina e tudo acontece nesta cidade e na gastronomia não poderia ser diferente. Sempre que venho para cá faço alguns programas tradicionais como a ida ao Mercado Municipal que nesta proximidade do Natal e Final de Ano está abarrotado de guloseimas de todos os cantos do mundo. O Paste de Bacalhau do Hoccabar é imperdível assim como o chope black da Brahma, uma maravilha de espuma sedosa e consistente. Sempre que posso visito alguns restaurantes e ontem foi a vez do Kinoshita, eleito pela Revista Veja como o melhor japonês daqui, sob o comando do simpático e competente chef Murakami o qual tive o prazer de bater um longo papo ontem, cujo conteúdo poderá ser acompanhado na edição da semana que vem da Gazeta do Sul! Hoje tem mais, mas depois eu conto...