sábado, 4 de fevereiro de 2012

La Flor Sauvignon Blanc 2009


Um dos vinhos branco que gosto muito de harmonizar com variados pratos são aqueles elaborados com a saborosa Sauvignon Blanc, uva pequena e amarelada que traz consigo acidez própria para quebrar alguns ingredientes, amplo frescor e jovialidade e conhecida mineralidade e caráter frutado quando produzida no Novo Mundo. Originária da França é lá que costuma alcançar excelência daquele terroir, principalmente em vinhos produzidos na região do Loire. Pode ser cortada com as uvas Sémillon, em Bordeaux ou entrar na composição dos vinhos doces de Sauternes e Barsac. No Novo Mundo – principalmente na Nova Zelândia – encontrou solo e clima perfeitos e projetou os vinhos desta casta daquele país no mundo. Na América são reconhecidos os Sauvignon Blanc do Nappa Valley nos Estados Unidos e também os chilenos. Para brincar um pouco com estas referências, provei um SB argentino, diverso em clima e solo dos acima citados, mas igualmente interessante, o La Flor Sauvignon Blanc 2009, de filiação de Carlos Pulenta, renomado vinhateiro da Argentina. Sua cor amarelo esverdeada prepara a curiosidade do que está por vir, um vinho leve, com ótimo frescor e acidez amarrada, sem excessos ou faltas. Os aromas pronunciados de frutas cítricas dão vazão a um final de boca muito agradável, convidativo a mais uma taça. Bem equilibrado no paladar além de frutado. Ideal ser consumido na temperatura entre 8 e 10°C. Possui graduação alcoólica de 12,0%. Harmoniza bem com comida japonesa, saladas, frutos do mar, alguns risotos, canapés e carnes brancas.

Se beber, NÃO DIRIJA!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O delicioso Salmão!

Depois de um mês curtindo férias do espaço enogastronômico da Gazeta do Sul, estou de volta e no embalo destes dias mais quentes, trouxe comigo uma receita muito agradável para ser preparada seja num almoço ou no jantar. Tenho particular atração por frutos do mar, talvez porque os tenha descoberto somente na vida adulta, e entre eles o salmão é um de meus preferidos, desde que preparado sem aquelas maquiagens de molhos de maracujá, queijo ou tudo o mais que sirva para deixá-lo com sabor alterado parecendo qualquer coisa menos um salmão! Gosto de acompanhá-lo com batatas mas mandioquinha ou batata-doce ou um salteado de legumes na manteiga também podem ser usados sem proibição. Acompanhe a receita do SALMÃO EMPANADO EM FAROFA DE AMÊNDOAS.


Ingredientes:
(para 4 pessoas)

1,2kg de filé de salmão
farinha de trigo
dois ovos batidos
3 fatias de pão de sanduíche dormido
4 colheres de sopa de amêndoas (ou nozes)
Limão
Alecrim seco
Pimenta branca
Sal
Azeite de oliva

Preparo:

Tempere o filé de salmão com limão, sal e pimenta branca. Coloque as amêndoas num processador e processe-as rapidamente. Em seguida adicione o pão dormido e bata junto para virar um pão moído. Junte o alecrim. Polvilhe uma camada de farinha de trigo, batendo para retirar o excesso. Pincele o ovo batido e em seguida coloque uma camada do pão com amêndoas. Regue com um fio de azeite, coloque num refratário untado com azeite e leve ao forno pré-aquecido a 200°C por cerca de 40 minutos. Sirva acompanhado de batatas e salada de agrião.

Artigo publicado no Jornal Gazeta do Sul de hoje.

O salmão

O salmão continua sendo a grande estrela das mesas dos restaurantes e cozinhas de chefs por aí afora. É um peixe de carne tenra e saborosa, com baixa porcentagem de gordura e rica em ômega 3, um ácido graxo que muitos benefícios traz ao corpo humano. O seu consumo é tão difundido que alguns médicos e especialistas em saúde prescrevem que seja consumido três vezes por semana, pois dizem que é excelente para quem quiser acabar com as rugas e dar uma “levantada” no rosto sendo sensíveis as diferenças no tônus da pele que se torna mais viçosa. E não são poucos os que recomendam seja essa carne consumida com regularidade. Todavia, por se tratar de um peixe cuja carne tem uma textura delicada é preciso saber prepará-la. Um cozinheiro inexperiente pode tornar a carne de salmão seca e intragável. Já com um pouquinho de cuidado sensibilidade será capaz de realçar todo seu divino sabor deixando-a tenra, úmida e macia. A carne de salmão, quando bem preparada é acomedida de um grande pecado: de tão boa, vicia! Se faz muito importante não obscurecer o sabor original do salmão com molhos disto e daquilo. O principal é usar poucos condimentos e acompanhar harmonicamente o prato.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Vindima do Vale dos Vinhedos

O Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves abriu oficialmente a vindima que segue até março com atrações para os turistas. A qualidade da safra provada surpreendeu os produtores e projeta excelentes resultados. A abertura oficial da vindima no Vale dos Vinhedos, realizada no sábado, 28, no Hotel Villa Michelon, movimentou o roteiro neste final de semana.

Uvas brancas, rosés e tintas foram colhidas no Parreiral Modelo do referido hotel. Já com os cestos cheios era hora de voltar para a Casa do Filó e o Memorial do Vinho para o momento da pisa. Com os pés nas uvas, a rainha do Vale dos Vinhedos, Vanessa Crestani, e as princesas Letícia Dal Magro e Camila Milani, começaram a pisa, que foi seguida por crianças e visitantes.
Dali os participantes seguiram para o Salão da Comunidade 8 da Graciema onde aconteceu a bênção aos vitivinicultores e o filó italiano. “A festa deste ano foi a mais animada de todas. Comunidade e visitantes se divertiram como nunca”, comemorou o diretor do Hotel Villa Michelon, Moysés Michelon.

Copa, queijo, salame, pães, cucas e vinhos, espumantes e suco de uva de 16 vinícolas associadas à Aprovale, além do artesanato regional, rechearam o evento. A festa, que iniciou às 17h, se estendeu até a meia-noite. Os visitantes do Brasil e do exterior, aproveitaram a programação para viver a experiência de colher e pisar uvas, além de se divertir em um filó italiano regado a produtos coloniais, jogos típicos e muita cantoria.

As atrações oferecidas pelos empreendimentos em torno da vindima – vinícolas, hotéis, restaurantes -, seguem até 11 de março devendo atrair cerca de 50 mil turistas, 14% mais que no mesmo período do ano passado.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O caule da palmeira


O palmito é a parte comestível do caule da palmeira, árvore originária das regiões de clima tropical, também chamado de coração da palmeira. Tem cor branca quase marfim, de textura delicada e sensível, às vezes um pouco fibrosa. Entre as várias formas de preparo, a mais conhecida é a conserva, mas a sua utilidade é ampla podendo ser utilizado em estado natural, assado, cozido, salteado ou frito. Dentre as várias espécies, uma das mais consumidas é o palmito pupunha, pois além de muito saboroso e levemente adocicado é ecologicamente correto, pois é de fácil renovação e amplamente cultivado na região sul e sudeste. A pupunheira cresce de maneira acelerada e apresenta brotos que facilitam sua reposição atingindo o estágio ideal para extração de palmito em cerca de 18 a 24 meses, e, mesmo após cortes sucessivos, ela brota no mesmo lugar durante anos. A produção brasileira de palmito é uma das maiores do mundo sendo também grande exportador. Quando for preparado crú deve-se ter cuidado para consumi-lo no máximo em três dias, pois deteriora-se muito rapidamente. A seguir um prato que provei no restaurante Saanga Gril em Curitiba encantando-me pela simplicidade e sabor e que procurei reproduzir em minha cozinha: o PALMITO PUPUNHA ASSADO

Ingredientes:

Tora de palmito in natura com casca
Papel laminado
Azeite de oliva
Orégano
Pimenta branca moída
Sal

Preparo:

Cortar a tora de palmito em pedaços em torno de 20 cm. Embrulhar cada pedaço de palmito em papel laminado e acomodar em uma grelha. Levar para a brasa na churrasqueira a meia altura, deixando cerca de 30 minutos de cada lado. Após retirar o papel alumínio e deixar assar pelo mesmo período de tempo, virando vez em quando. Retirar do fogo e fazer um corte no sentido do comprimento para abrir a casca. Com um garfo ou com a mão abrir o palmito deixando o miolo comestível à mostra. Misturar o azeite de oliva, o sal, a pimenta e o orégano em uma vasilha e em seguida regar o palmito para dar gosto. Servir quente na própria casca. Ideal para servir como entrada ou acompanhamento de pratos à base de carne assada.


Artigo publicado no Jornal Gazeta do Sul.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

2012 pode se consagrar como a melhor safra da história para espumantes brasileiros

Vale dos Vinhedos comemora qualidade das uvas Chardonnay e Pinot Noir


Viticultores, enólogos e cantineiros do Vale dos Vinhedos estão embriagados
de felicidade. É que as uvas Chardonnay e Pinot Noir, utilizadas para a
elaboração do vinho base para espumante, estão excepcionais. Com este
desempenho a projeção é de espumantes equilibrados e longevos,
principalmente para quem trabalha com o método tradicional (champenoise)
como é o caso dos produtores do Vale. A colheita dessas uvas iniciou há 15
dias e está em fase final. Na próxima semana será a vez de começar a colher
a uva Chardonnay para vinhos finos e no final de fevereiro inicia a colheita
das tintas como a Cabernet Sauvignon e Merlot.


Com ótima relação entre açúcar e acidez, as uvas colhidas apresentaram 17º
babo e pH baixo próximo de 3.0, ideais para espumantes. O diretor técnico da
Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale),
Daniel Dalla Valle, comenta que a qualidade está surpreendendo os produtores
do Vale que apostam na safra como uma das melhores para espumantes. “Com
excelente matéria prima o produto final certamente será de qualidade.
Conhecimento e tecnologia para isso nós temos”, destaca.


Vamos aguardar e conferir, pois o Brasil sempre foi visto com muito bons olhos na elaboração de espumantes, talvez o possível ícone da viticultura nacional!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Os carreteiros do São Judas Tadeu


No início dos anos 90 eu trabalhava numa construtora praticamente no centro da cidade. Era recém estudante de direito, no auge dos meus 18 anos e, através de um colega, acabei conhecendo o pessoal da redação da Gazeta do Sul e fui convidado a escrever crônicas quinzenais no jornal. E uma boa parte dos integrantes da redação moravam num prédio bem defronte a tal construtora, no São Judas Tadeu. Ali, no apartamento térreo de três quartos, residiam o Mauro Ullrich, o Romar Beling, o Otto Tesche e o Gilson da Rosa, todos redatores do jornal, cada qual numa área. E neste apartamento recheado de cadeiras de praia, beliche, colchão no chão e uma cozinha composta pelo fogão velho presente da tia de um deles, a geladeira de porta enferrujada com uma borracha vedando-a, um armário pia onde se alojava apenas uma panela e uma chaleira, além de meia dúzia de pratos e copos Duralex, rolavam inesquecíveis normoses cotidianas, recheadas de humor e receitas saborosas. Nesta cozinha quase todos os dias tinha almoço preparado em maior quantidade para sobrar de janta também. E o prato mais aguardado era o carreteiro de linguiça do Otto, não sei se pelo sabor ou por ser um dos poucos que ele sabia preparar! O Otto saía correndo da redação antes dos demais para preparar o almoço, passava no armazém ali pertinho, catava cebola, tomate e vez em quando alguma folha verde que era vista com olhos tortos do Gilson, não muito chegado neste lance natureba.



A linguiça o Romar trazia da casa dos pais e, sustentava dia sim dia não, o cardápio da trupe. De Cachoeira do Sul, o Mauro trazia o arroz, agulinha tipo 2, semi quebradiço que, segundo ele, era melhor para liberar o amido e dar “sustância” na receita. E eu, como trabalhava no prédio vizinho, pulava a janela do São Judas e almoçava muitas vezes com a gurizada. Como ninguém tinha grana, o apartamento alugado não possuía quase nada de mobília, comíamos com o prato no colo, sentados no chão de carpete velho e rasgado, encostados nas paredes. Ali, o almoço virava um parque de diversões e as adversidades da vida de cada um davam lugar as histórias engraçadas dos tempos de moleque contadas pelo Maurão; aos comentários de bandas e músicas do music a holik Gilson; aos bate-papos cheios de filosofia incitados pelo cozinheiro-mor e as tiradas do Romar, cheias de espiritualidade. Eu, o mais novo do grupo, acabava por ser o observador, o aprendiz de todo aquele conteúdo cultural proveniente daquelas mentes brilhantes sustentadas pelo saudoso e agregador carreteiro do Otto!

Acompanhe a preparação do saudoso carreteiro:

Ingredientes:
(para 4 pessoas)
Duas xícaras de arroz
Duas colheres de óleo de canola ou girassol
Três gomos de lingüiça sequinha
Dois dentes de alho picados
Uma cebola grande picada
Sal e pimenta à gosto
Meia xícara de salsinha e cebolinha verde picada
Uma colher de açúcar

Preparo:
Em uma panela de ferro aquecer o óleo de canola e fritar a lingüiça já cortadinha em fatias e sem pele por cerca de 3 minutos. Juntar o alho, a cebola e o açúcar e refogar até dourar. Adicionar o arroz e refogar rapidamente. Completar com água – 4 xícaras de água fervente – e temperar com sal e pimenta e deixar cozinhar por cerca de vinte minutos com a panela semi-tampada. Juntar o temperinho verde e servir em seguida.

Artigo publicado no Jornal Gazeta do Sul.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Filé em crostra de funghi

Hoje é sábado e tal dia especial da semana sugere uma boa reunião em volta da mesa, acompanhado de rodadas de deliciosas caipirinhas ou de alguns bons rótulos se o motivo for o jantar. Carnívoros como somos a diversidade de preparos tendo por base os cortes de carne ampliam-se a cada dia, sugerindo novas técnicas e junções de ingredientes tradicionais mas com uma roupagem mais moderna. Para hoje, então, apresento uma receita de carne vermelha para ser saboreada na ocasião que o leitor entender conveniente, ainda mais com esta oscilação de temperatura que pode sugerir o desenrolhar de uma garrafa de tinto tilintando na adega. A receita é fácil, apenas necessitando de um pouco de cuidado no preparo.

FILÉ EMPANADO EM FARINHA DE FUNGHI SECCI

Ingredientes:
(para 2 pessoas)
400g de filé mignon
100g de funghi secci (cogumelos desidratados)
Sal e pimenta à gosto
Óleo de canola
200g de batata branca
100ml de leite
50g de queijo gorgonzola
Uma colher de sopa de manteiga
Sal e pimenta à gosto
Pitada de noz moscada
Folhas de alecrim para decorar

Preparo:
Distribuir o funghi secci em uma bandeja e levar ao forno pré-aquecido por quinze minutos a uma temperatura baixa, tipo 150oC, apenas para tirar a umidade e dar uma rápida secada no cogumelo que já é desidratado. Tirar do fogo e colocar em um processador e bater para triturar até formar um pó. Peneirar este pó que será usado como farinha e reservar. Limpar uma peça pequena de filé mignon e cortar no formato de uma barra quadrada com cerca de 4cm de largura e altura e cerca de20cm de comprimento. Temperar com sal e pimenta preta moída na hora. Dispor a farinha de funghi numa bandeja e empanar o filé por todos os lados. Bater o excesso e deixar descansar na geladeira por trinta minutos. Enquanto isso, preparar o purê de batata para acompanhar, cozinhando as batatas brancas, tirando a casca e esmagando tudo dentro de uma tigela. Em separado, aquecer o leite com o gorgonzola ralado dentro, a manteiga e os temperos, preparando um molho branco. Usar este molho para terminar o purê. Aquecer um fio de óleo de canola em uma frigideira anti-aderente e passar o filé empanado na farinha de funghi. Cerca de três minutos de cada lado do “bastão” de carne. A coloração ficará marrom forte mas não significa que está queimado, é a farinha tostando. Cortar em fatias de cerca de um dedo de largura e servir acompanhado do purê e folhas de alecrim.