quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Vale dos Vinhedos aguarda público recorde na Vindima 2012


A vindima é sempre aguardada pelos empreendimentos e comunidade do Vale dos
Vinhedos com grande expectativa. De um lado a espera por uma safra de
qualidade que dá a certeza de excelentes vinhos. De outro a perspectiva de
um período com grande fluxo de visitantes, o que movimenta a rede de
atendimento voltada ao enoturismo. Este ano, nos meses da vindima – de
janeiro a março -, a previsão é de que um público de 50 mil pessoas visitem
o Vale.

A projeção é de um aumento de 15% em relação ao movimento no mesmo período
do ano passado, quando o roteiro registrou 44.764 visitantes. O crescimento
tem sido contínuo e gradual. Em 2010, por exemplo, o fluxo neste trimestre
foi de 33.214 visitantes. O incremento para 2011 foi ainda maior, chegando a
35%.


Seduzidos pelas atrações preparadas pelas vinícolas, hotéis, pousadas e
restaurantes, os turistas têm a oportunidade de vivenciar experiências
únicas em torno da cultura do vinho, convivendo com moradores, produtores de
uva e enólogos.

O mesmo aumento vem se confirmando no acumulado do ano. No ano passado, o
Vale dos Vinhedos recebeu 228.579 visitantes, um aumento de 14% em relação a
2010. A vindima e o inverno lideram a preferência, entretanto o Vale dos
Vinhedos é atração o ano inteiro.

Segue a programação do Vale dos Vinhedos para Vindima 2012:




Abertura Oficial da Vindima do Vale dos Vinhedos 2012
Local: Hotel Villa Michelon
Dias: 28 e 29 de janeiro de 2012
Programação:
- Solenidade de abertura, colheita de uvas no parreiral modelo do hotel, pisa das uvas pela rainha e princesas do Vale dos Vinhedos, missa festiva, filó festivo (reuniões tradicionais italianas com comida, música, dança e jogos), jogos típicos italianos, apresentação de coral, colazione (café típico italiano), degustação de vinhos do Vale dos Vinhedos.
Mais informações:www.villamichelon.com.br, pelo telefone (54) 3459.1800 ou pelo e-mail reservas@villamichelon.com.br.


Festa da Vindima Casa Valduga
Local: Complexo Enoturístico Casa Valduga
Dias: aos sábados, de 28 de janeiro a 10 de março de 2012 e durante o feriado de carnaval
Programação:
- Colazione (café da manhã típico italiano), colheita de uvas, passeio de dindinho, apresentação de coral com realização de sabrage (abertura de garrafas de espumante com antigas espadas) nos parreirais, degustação de vinhos e suco de uva, almoço harmonizado, visita à unidade de maturação, engarrafamento, envelhecimento e caves de espumantes, visita à unidade de vinificação, visita à Capela das Neves com relatos da história da imigração italiana, esmagamento de uva com os pés e jantar harmonizado de encerramento nos parreirais.
Valor: R$ 280 por pessoa/ R$ 270 para hóspedes da Villa Valduga
Mais informações e inscrições: www.casavalduga.com.br, pelo telefone (54) 2105.3154 ou pelo e-mail reservas@villavalduga.com.br


Dia da Colheita Pizzato
Local: Pizzato Vinhas e Vinhos
Dias: aos sábados, além do domingo e segunda de carnaval, de 28 de janeiro a 10 de março de 2012
Horário: das 10h às 15h
Programação:
- No Dia da Colheita o turista é recebido com chapéus, aventais e bolsas personalizadas como preparação para visita guiada aos parreirais com proprietário da vinícola e às instalações da vinícola com enólogo. A visitação abrange informações sobre o ciclo de desenvolvimento das videiras e as etapas de vinificação. O programa inclui ainda o resgate da pisa das uvas e degustação de vinhos finos. A programação é encerrada com um almoço harmonizado com vinhos e espumantes.
Mais informações e reservas: www.pizatto.net,pelo telefone (54) 3459.1155 ou pelo e-mail vendas@pizzato.net.


Festa da Colheita Hotel & SPA do Vinho
Local: Hotel e SPA do Vinho Caudalie
Dias: aos sábados, de 4 a 25 de fevereiro de 2012
Programação: Colheita das uvas nos parreirais do hotel, pisa das uvas, apresentação de coral italiano e almoço típico ao ar livre.
Mais informações e reservas: www.spadovinho.com.br, pelo telefone (54) 2102.7200 ou pelo e-mail reservas@spadovinhos.com.br


Jantar harmonizado Hotel & SPA do Vinho
Local: Hotel e SPA do Vinho Caudalie
Dias: às sextas-feiras, de 3 a 14 de fevereiro
Programação: Jantar temático italiano, harmonizado com vinhos do Vale dos Vinhedos
Mais informações e reservas: www.spadovinho.com.br, pelo telefone (54) 2102.7200 ou pelo e-mail reservas@spadovinhos.com.br


Wine Day Miolo
Local: Complexo Miolo Vale dos Vinhedos
Dias: Fevereiro e março (definição da data a partir da avaliação do andamento da colheita)
Horário: das 8h30 às 13h30
Programação:
- Curso de um dia onde o participante acompanha a elaboração do vinho desde o vinhedo até a vinícola. São edições em dias diferentes para os vinhos tintos, brancos e espumantes. Com o acompanhamento dos enólogos e agrônomos da empresa, o visitante participa da colheita das uvas, do recebimento, da elaboração, e também degusta o vinho em todas as etapas do processo. O programa é encerrado com um almoço típico italiano harmonizado com os vinhos e espumantes e entrega dos certificados de participação.
Mais informações e reservas: www.miolo.com.br, pelo telefone (54) 2102.1574 ou pelo e-mailthais@miolo.com.br


Happy hour Valle Rustico
Local: Valle Rustico Restaurante
Dias: de quinta a sábados, nos meses de janeiro, fevereiro e março
Horário: das 18h às 21h
Programação: serviço de aperitivos e antepastos acompanhados de vinhos e espumantes do Vale dos Vinhedos ao ar livre, na área externa do restaurante.
Mais informações: pelo telefone (54)3459.1162 e (54) 8123.0080 ou pelo e-mail vallerustico@gmail.com

Degustação comentada de Espumantes do Vale dos Vinhedos
Jantar sob as estrelas
Local: Rua Herny Hugo Dreher, Bento Gonçalves
Dia: 17 de fevereiro
Horário: às 18h30
Programação: Degustação comentada por enólogo de cinco espumantes do Vale dos Vinhedos, com e entrega de cartilha informativa e taças personalizadas aos participantes. A ação integra a programação do Jantar sob as Estrelas, evento promovido pela Secretaria de Turismo de Bento Gonçalves  e pelo SHRBS da Região da Uva e do Vinho, com restaurantes da cidade, em que são oferecidos cardápios harmonizados e com mesas ao ar livre.
Mais informações: pelo telefone (54)3451.9601 ou aprovale@valedosvinhedos.com.br


Ciclo de Cinema Bento em Vindima
Dias: de 20 de janeiro a 9 de março de 2012
Horário: às 19h
Programação: Apresentação de filmes que abordam temática relacionada ao enoturismo em diferentes empreendimentos de Bento Gonçalves, incluindo o Vale dos Vinhedos, seguido por debate mediado por profissional do setor, finalizando com jantar harmonizado.
Mais informações e reservas: nos empreendimentos que abrigarão as sessões do ciclo de cinema.

domingo, 15 de janeiro de 2012

O alho


Adorado por uns e odiados por outros, o alho atravessou boa parte da história dividindo sensações. E o alho é controverso até mesmo em sua origem, podendo ter nascido na Ásia – no deserto da Sibéria - ou pode ser a Europa mediterrânea o seu berço, há mais de seis mil anos. O que se tem certeza é que foi levado para o Egito por tribos mongóis, onde era utilizado largamente, tendo inscrições na pirâmide de Gisé - os egípcios usavam-no como parte do processo de mumificação dos mortos e no túmulo de Tutankamon foram encontrados dentes de alho – onde consta que uma das primeiras greves de que se tem notícia aconteceu quando os trabalhadores que construíam as pirâmides do Egito deixaram de receber sua porção diária de alho, que estava em falta no mercado, pois alho e cebola eram ingredientes essenciais na dieta de escravos e operários para que não adoecessem. Dali seguiu para o extremo oriente através das rotas do comércio com a Índia, e depois para a Europa. Dizem que o alho chegou ao Brasil junto com as caravelas de Cabral.

A hortaliça de bulbo com significativo teor de vitamina C seria parte do magro cardápio consumido pelas tripulações. Usado em larga escala na culinária do mundo todo, além combater o mal-olhado (e até vampiros!), o alho é também conhecido pelas suas propriedades terapêuticas, como por exemplo, redução de níveis de colesterol e da pressão sangüínea. Seu forte aroma deve-se à presença da alicina (óleo volátil sulfuroso) pois quando as células do alho são quebradas, libera-se uma enzima chamada aliniase que modifica quimicamente a substância alinia em alicina, que resulta no cheiro do alho. No mundo há mais de trezentos tipos de alho e é um dos mais versáteis sabores da culinária, muito utilizado na cozinha brasileira e indispensável na cozinha provençal. Polêmico como é, exige muito cuidado no seu preparo necessitando de observação de algumas dicas de como lidar com ele:


- Para tornar o alho mais digestivo, retire o pequeno germe verde que existe em seu interior.
- Para descascar vários dentes de alho, coloque-os por cinco segundos no microondas ou mergulhe-os rapidamente em água fervente. A casca deve soltar-se com facilidade.
- Ao refogar o alho em óleo ou azeite de oliva junte-o ainda no azeite frio e em fogo baixo e cuidando para que não doure muito, evitando que fique amargo.
- Assar o alho no forno com casca é uma forma de suavizar o seu sabor e aroma, deixando-o levemente adocicado.

Um dos pratos com alho mais deliciosos e conhecidos é o Espaguete ao Alho e Óleo, cuja receita segue abaixo:


Ingredientes:
(para 4 pessoas)
300 g de espaguete
4 dentes de alho
Pimenta-do-reino moída na hora
1/2 copo de azeite extra virgem
Sal
Salsa

Preparo:
Ferver a água, adicionar a massa e salgar. Quando a pasta ficar cozida, “al dente”, esquentar o azeite em uma frigideira e juntar o alho fatiado e sem a casca. Observar para não escurecer o alho, tornado-o amargo, apenas deixa-lo dourado. Escorrer a massa “al dente” e temperar com o preparo da frigideira sobre o fogão.
Servir o espaguete bem quente em pratos profundos, pré-aquecido e com um pouco de salsa picadinha por cima.

VOCÊ SABIA



Na hora de descascar o alho para o tempero, leve-o ao microondas com um pouco de água por mais ou menos dez segundos, que a casca sai bem mais fácil. Depois, para tirar aquele cheirinho do alho que fica nas mãos, é só esfregar pó de café entre elas e lavar com água e sabão.
Para não ficar com bafo de alho, recomenda-se chupar limão ou cravos da índia, beber um copo de vinho ou a melhor solução, oferecer alho às pessoas a sua volta junto com o vinho, assim ninguém notará o cheiro!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Cabernet Mulheron


O cara era um conquistador nato! Algo como uma reencarnação de Casanova... Exímio nas palavras, marcante nos gestos e sedutor no olhar, despertava antes de tudo curiosidade nas meninas que não se enrubeciam em observá-lo. As ocasiões sociais eram o seu alvo predileto, pois ali, no meio daquela oferta toda, imaginava-se dentro de uma grande adega, envolvido pelos mais variados vinhos, de diversos anos, cepas e cortes. Olhava as mulheres como se analisasse o rótulo de uma garrafa, muitas vezes tentando ler até as letras miúdas da composição de cada uma. E - como se estivesse num ritual - ia aos poucos tratando a garrafa, vendo-a de todas as perspectivas e imaginando o que o seu interior poderia revelar. Quando chegava as vias de fato, com muita delicadeza ia retirando a rolha da garrafa "despindo-a" e deixava o aroma invadir o ambiente. Se fosse ruiva, o ar condicionado climatizava em 16 graus, se fosse loira – afinal os brancos devem ser degustados gelados – regulava em 10 graus e, se fosse morena, provava em temperatura ambiente.

Gostava de sentir os aromas que inundava-lhe as narinas trazendo aromas de baunilha, frutas vermelhas, um pouco de carvalho e muitas vezes frutas cítricas. Cada mulher conquistada era harmonizada com um vinho e o sacana guardava a rolha e ficava cheirando por horas, lembrando do retrogosto de cada uma. E como um bom vinho, sabia que a mulher desnuda, arejada, ficaria melhor e mais saborosa, se antes de ser bebida descansasse por alguns minutos, apenas com um pouco de brisa no gargalo. E ao provar, deixava aquele sabor inundar-lhe as papilas gustativas, por ora um malbec expressivo e marcante na ponta da língua e outras vezes como um rioja que rolava a língua e explodia na garganta, liberando todo um prazer indescritível, de sabor longo e permanente.

E assim muitas rolhas foram colecionadas. Até mesmo a Sandrinha, uma mulher divina que todos queriam ter, o sonho de toda mãe como nora. Castanha de cabelos encaracolados e fartos, de pele dourada e com um perfume muito particular, notas de madeira, talvez couro – ele preferia denominar “pele” – e tutti-frutti. Beijo forte e molhado, carregado de taninos maduros e muito encorpada! Hummmm!, um legítimo Syrah! E eis que ele seduziu a Sandrinha!Começaram a bater papo defronte uma gôndola de supermercado, na seção de patês, e o conhecimento dele sobre a ambigüidade relativa da exitação contemporânea sob o ponto de vista do romantismo eclético a deixou de pernas para o ar. Levou-a para casa.

E a Sandrinha era tão maravilhosa, mas muito maravilhosa, que de tão maravilhosa que era, tirou-o do seu habitual e acostumado ritual de “descoberta” levando-o a pular etapas e indo direto à degustação. Quando levou-a à boca e sorveu daquele pecado em forma de lábios, descontrolou-se. A inquietude e a ansiedade tomaram conta de sua absoluta frieza. E uma conta das bem grandes! Os taninos daquela moça que pareciam macios eram duros feito pedra; o cheiro que era frutado não representava o sabor amargo e hostil; a baunilha transformou-se em açúcar queimado e as frutas vermelhas apodreceram. O encanto virou desencanto. Decepcionado concluiu que ao invés de um Syrah deve ter pego um Hermitage... Tentou livrar-se daquele porre mas a dor de cabeça veio forte no outro dia, pulsante como o coração de britadeiro e pesado como um trilho de trem. E, ainda, o gosto de creolina na boca marcou-o para o resto da vida.


Aprendeu a lição: os vinhos que são comprados apenas pelo rótulo bonito podem dar uma enorme dor de cabeça no outro dia. Depois disso abandonou a bebida. Nunca mais bebeu. Hoje, apenas os charutos lhe atraem...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Família Gascón Tempranillo 2008


A uva tempranillo tem origem na Espanha de onde exportou-se mudas para o Novo Mundo. Na altitude próximas a Cordilheira dos Andes, esta casta deu-se muito bem pelas mãos de algumas bodegas que investiram em sua vinificação. Uma delas, a Família Gascón, conseguiu uma bela relação qualidade e preço engarrafando o delicioso Família Gascón Tempranillo, vinho vivaz e fresco, bastante frutado que sugere um beber prazeroso. Sua rápida passagem por barricas de carvalho – 8 meses de guarda – dão a ele as notas de torrefação. Sua cor rubi límpida denuncia aromas de frutas vermelhas maduras, baunilha e chocolate. Na degustação mostrou-se intenso, com acidez equilibrada e com final de boca médio. Um ótimo vinho para beber e harmonizar com comida, indo muito bem com filés – inclusive arriscando-se com alguns molhos como o de maracujá – queijos como o gorgonzola, demais carnes vermelhas assadas e carnes de caça. Ideal ser servido na temperatura de 17oC. Possui 13,5% de graduação alcoólica.

E lembre-se: se beber, NÃO DIRIJA!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Talharim à Carbonara


Num jantar dia destes com um casal de amigos comentávamos sobre uma viagem feita ao país que é um dos berços da gastronomia mundial, a Itália, onde pode-se saborear pratos e vinhos encantadores, principalmente nas cidadezinhas que circundam as grandes metrópoles italianas e, desta forma vivenciar por alguns dias o que a prima donna tem de melhor. Um dos preparos mais tradicionais da cozinha italiana é sabidamente a massa e a seus mundialmente conhecidos molhos amatriciana, puttanesca, bolonhesa, pesto, formaggio e hoje apresentado o alla carbonara, uma receita de simples, barata e de rápido preparo. A elaboração deste prato pode variar de acordo com as regiões da Itália, dos restaurantes ou dos gourmets. Alguns utilizam ao invés do bacon, o toucinho da barriga do porco chamado de pancetta, outros, o bacon preparado com a carne das bochechas e do pescoço do animal – o guanciale. Também o uso de ovos gera discussão, sendo que alguns cozinheiros usam apenas as gemas e outros, também as claras. Agora o que é incomum é ver o preparo do molho carbonara na Itália usando creme de leite, utilizado no Brasil para obtenção de um molho mais cremoso. Seja qual for o preparo, o resultado é saborosíssimo e abaixo segue a receita do TALHARIM À CARBONARA.

Ingredientes:
(para 4 pessoas)

500g de talharim
100g de bacon defumado
3 colheres de sopa de azeite de oliva
50g de manteiga sem sal
Um dente de alho descascado
4 gemas de ovos
2 ovos inteiros
Meia xícara de chá de queijo parmesão ralado
300ml de creme de leite
Fatias de presunto di Parma para decorar
Pitada de noz moscada
Pimenta do reino moída na hora à gosto
Sal a gosto

Preparo:
Corte o bacon em cubinhos de cerca de meio centímetro de espessura e reserve. Coloque o alho, duas colheres do azeite de oliva e a manteiga em uma frigideira e leve ao fogo para aquecer em fogo baixo. Assim que aquecer, retire o alho e junte o bacon picado e frite bem até ficarem crocantes, mexendo quando necessário. Retire do fogo com uma escumadeira e reserve. Em uma tijela, junte as gemas, os ovos inteiros (gema mais as claras), o queijo, o creme de leite, o sal, a noz moscada e a pimenta. Bata com um batedor manual até a mistura ficar esbranquiçada. Junte o bacon frito e misture bem. Corrija o sal e a pimenta e reserve. Cozinhe o talharim até a massa ficar al dente. Retire do fogo, escorra a água, devolva na mesma panela e ligue o fogo baixo. Adicione o molho mexendo e com cuidado para a mistura de ovos não cozinhar e parecer uma omelete. Sirva em seguida, regue com o restante do azeite de oliva e decore com tiras de presunto enroladinhas e fritas e ainda pode-se dar um toque herbáceo contrastando com um creme de rúcula servido ao lado.

VOCÊ SABIA


A origem da pasta alla carbonara como tudo que é tipicamente italiano é provoca discussões calorosas e intermináveis. Alguns dizem que a simples, fácil e rápida receita foi inventada pelos trabalhadores das minas de carvão da região da Úmbria – os “carbonai” - já alguns dizem que eram produtores de carvão vegetal dos bosques e não de carvão mineral das minas! O fato é que indiferente do tipo de carvão, pelo fato de ficarem longos períodos longe de casa nos interiores italianos, tinham na praticidade e rapidez de alimentos duradouros tais como o toucinho e a massa, sua alimentação. Já outra corrente afirma que o nome vem da pimenta preta moída que representaria o “carvão” no prato.

domingo, 8 de janeiro de 2012

A gastronomia fantástica - parte 2


A viagem pelo mundo fantástico da Gastronomia Molecular iniciada no post do início desta semana continua hoje, na busca das técnicas, equipamentos e matérias primas que servem de suporte para a desconstrução e remontagem de receitas e preparos pelas mãos de renomados chefs-cientistas. Além de uma nova conceitualização provocada por grandes nomes da culinária mundial, as experiências em laboratórios-cozinha ocorridas do início dos anos 90 em diante trouxeram úteis conhecimentos aos cozinheiros do dia-a-dia e donas-de-casa, como por exemplo, como ferver leite sem deixar transbordar; como preparar ovos perfeitos ou como dissolver farinha em leite sem “embolotar”. Através destes experimentos descobriu-se que para as claras de ovos melhor baterem é necessário adicionar gotas de limão, pois o ácido ajuda a formar bolhas menores, tornando a espuma muito mais macia. E é pelo uso de substâncias com propriedades muito específicas e técnicas inovadoras que o preparo de pratos foi reeditado e passou a ter além de muita polêmica, reconhecimento e importância global.

Fora a apresentação brilhante dos pratos criados, a gastronomia molecular abriu portas cadeadas a sete chaves e muito mais do que um tema polêmico veio potencializar sabores, multiplicar cores e trazer novas texturas a tradicionais ingredientes, ou seja, veio questionar o mundo com perguntas que talvez as nossas crianças sempre fizeram e nunca foram respondidas, ou será que alguém ousou a responder algo tipo “porque a salsinha é verde? Por que ela não é branca?”; “Por que a sopa não pode ser sólida?”; “Existe sorvete quente?”... Pois é a Gastronomia Molecular ousou responder tais dúvidas!

A seguir alguns segredos desta gastronomia fantástica:

Os Gelificantes: responsáveis por criarem os “géis” - estruturas mais estáveis, ou seja, não fluidas. A gelatina é um exemplo clássico, cuja textura é firme sem ser dura. Várias são as fontes dessas substâncias que vão de raízes a nozes, das algas a até o famoso tutano de boi. Um dos principais gelificantes é o Agar Agar, que possui a característica de fazer gelatinas quentes, pois o produto pode ser aquecido até 80 graus depois de gelificado. Torna-se um parceiro perfeito para criações culinárias como o “spaghetti de parmesão”, o “caviar de maracujá”, a “espuma quente”, o “chantilly quente” e o “molho de tomate quente gelificado”. Ou seja, quanto mais aquecido, mais sólido ele fica! O gel feito a partir do agar derrete na boca, liberando os sabores ali presentes. Entre as técnicas de gelificação externa tem-se a Esferificação que consiste em aprisionar um líquido qualquer numa esfera perfeita. Estas esferas são preparadas com gel.


A Esferificação: criada pelo mago da gastronomia molecular, o catalão Ferran Adrià, o manuseio do preparo da substância gelificante cria os famosos caviares. A esferificação nada mais é do que se fazer o que cientificamente denominamos de gelificação reversa, isto é, quando o objetivo é o de que o gel criado não faça parte da estrutura interna do alimento. O Alginato de Sódio - que é um sal orgânico derivado de carboidratos extraído de algas encontrados em oceanos frios - é o principal reagente da esferificação. Também o Cloreto de Cálcio é utilizado na esferificação básica, reagindo com os íons de sódio do alginato e conferindo a forma esférica ao líquido.


O Sous-vide: é outra técnica utilizada pela gastronomia molecular no cozimento a vácuo e em baixa temperatura (aproximadamente até 60ºC). Diga-se que os alimentos cozidos em temperatura abaixo desta escala preservam o sabor, a textura e os valores nutricionais.

Também fazem parte dos avanços da gastronomia molecular os emulsificantes, espessantes, ácidos e mais uma dezena de substâncias auxiliares de cozinha.

Fontes: www.elbulli.com; www.gastronomylab.com; Um Cientista na Cozinha de Hervé This

Artigo publicado no Jornal Gazeta do Sul.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Minha primeira vez


A primeira vez que comi foi quase cômico. Ainda garoto, lá pelos meus catorze anos de idade, vários amigos já tinham comentado à respeito daquele casarão e o que ele servia. Os assunto sobre o tema era constante e todos que já tinham ido lá, falavam que era uma experiência inesquecível e que, depois que eu provasse, nunca mais deixaria de querer. Aquela casa era diferente das outras do bairro, possuía uma iluminação à noite com nuances alaranjados, às vezes vermelho, e nós, rapazotes na puberdade estampada pelas espinhas nos rosto, ficávamos ali à espreita, vendo quem entrava e saia da casa, muitas vezes freqüentada por mulheres, às vezes casais, mas quem mais se fazia presente eram os homens que entravam, demoravam na sua estada, bebiam vinho, davam risadas, falavam alto e saiam quase sempre suados e com as bochechas rosadas.

O estabelecimento atendia ao meio-dia e à noite, mas nesta nenhum dos meus amigos havia ido, era praticamente proibido, aí - vez ou outra - os mais corajosos marcavam presença ao meio-dia e ou no começo da tarde, quando o movimento era menor. Ir lá significava “pagar” pelo prazer buscado o quê não era barato! Ou se ganhava muito jogo “às verda” na bolitas ou então era necessário varrer a calçada da vizinhança durante muitos dias para arrecadar uns trocados. E teve um dia – lembro bem até hoje – que foi o “meu dia”. Era uma sexta-feira fria e ventosa, em pleno inverno, no qual fui literalmente coagido a abandonar o receio, estufar o peito, tornar-me um homem e entrar pela porta da frente daquele casarão.

Combinamos tudo durante a aula no meio da manhã. No intervalo eu, apreensivo, não saia do banheiro, afinal de contas iria conhecer o comentado lugar e o que ele oferecia de tão especial. Para os meus pais falei que iria da escola para a biblioteca com estudar para a prova de anatomia. Subi na bicicleta e, em caravana, fomos até a casa. Estacionei na frente e nem cadeei a bicicleta, pois em caso de emergência ou de fuga, bastava subir nela e pedalar mais rápido que qualquer coisa. No bolso, os trocados conseguidos nos campeonatos de bolitas que me gastaram a unha do dedão, estavam contadinhos.

Subi o primeiro degrau e hesitei. Fui empurrado por dez mãos que quase me jogaram no salão principal. Entrei e fiquei enrijecido! Dentro do casarão um lustre imenso iluminava languidamente o ambiente. Logo ao lado um sofá de couro preto convidava a um drinque – naquela época seria apenas um refrigerante bem gelado.
Logo adiante um enorme bar com luminárias vermelhas destacava a presença de quem ali se encontrava: homens, mulheres, sozinhos, juntos, em busca de, enfim, envoltos entre risos e tilintar de taças. Ao canto uma enorme lareira aquecia o ambiente, obrigando os presentes a ficarem sem os casacos e cachecóis, refletindo nos seus rostos o calor da chama. E, dez passos adiante, várias mesas completavam o salão, postas diante de uma enorme porta vaivém, de onde belas moças em trajes semelhantes entravam e saiam sorridentes e convidativas. Fui convidado a sentar em uma das mesas. Timidamente me acomodei, impressionado com tudo o que acontecia a minha volta. Uma das moças sorridentes aproximou-se e entregou-me o cardápio: era minha primeira vez em um restaurante!

Artigo publicado no Jornal Gazeta do Sul.