quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A gastronomia fantástica - parte 1


Talvez uma dos ramos mais abertos a avanços técnico-científicos seja a tradicionalíssima gastronomia. Sim, pode parecer uma dicotomia, mas a quebra de alguns paradigmas da clássica culinária sugere discussões polêmicas e acaloradas entre os chefs tradicionalistas e os inovadores. É sobre esta escola inovadora, denominada Gastronomia Molecular que irei falar nesta e na próxima edição, procurando levar aos leitores um pouco de informação sobre este assunto mundialmente discutido nestes últimos anos.

A Gastronomia Molecular nasceu das pesquisas e estudos realizados por um ramo da Ciência dos Alimentos, em meados de 1988, pelo físico Nicholas Kurti, então físico de Oxford, e Hervé This, francês, doutor em físico-química e principal expoente deste ramo. Tal pesquisa procurou estudar os processos químicos e físicos que ocorriam durante o aparentemente banal ato de simplesmente cozinhar.

O estudo mostrou que muitos dos truques de cozinha, antes imaginados ser de algum dom especial do cozinheiro, podiam ser explicados cientificamente com base na composição dos alimentos e alterações físicas e químicas que ocorriam na sua preparação. Neste entendimento – e por isso tal polêmica quando o assunto é levantado - cientistas podem aliar-se aos chefes de cozinha numa parceria para aperfeiçoar criações tradicionais e antever a reação entre os alimentos, criando receitas e preparos fantásticos como Mini-esferas de Feijoada (a feijoada vêm desconstruída e dentro de esferas gelatinosas que explodem na boca ao serem consumidas liberando a textura e sabor deste delicioso prato); o Espaguete de Frutas (a massa é idêntica a normal, mas composto por frutas coloridas); Espuma de Caviar (densa espuma com sabor de caviar que ao provar, desaparece na boca); Caviar de Manga (usando um componente denominado agar-ágar cria-se a mesma forma do caviar com o sabor que se desejar) ou Concha do Mar com Farofa de Areia servida com um IPod (prova-se o prato com frutos do mar e coloca-se o fone para escutar o barulho do mar) entre outros tantos.

Para tais criações, novos equipamentos, muitos aditivos e técnicas químicas e físicas (de controle preciso do calor e umidade no cozimento, o sous-vide, por exemplo) são usados. Entre as técnicas básicas da Gastronomia Molecular, estão a esferificação, a transformação de lipídios, a gelificação, os trabalhos com isomalte (açúcar especial), os emulsificantes e o uso de ácidos.

O principal chef - já eleito por várias vezes o número 1 do mundo - o espanhol Ferran Adrià, do multipremiado Restaurante El Bulli, ao sul de Barcelona, é o principal ícone desta nova cozinha. O inglês Heston Blumenthal, os brasileiros Alex Atala e Helena Rizzo também aventuram-se com muita competência nesta nova culinária.

Como vemos a comida, a sua forma, o seu aroma, a apresentação e de que forma podemos misturar os sabores para encontrar o paladar perfeito, experimentando assim sensações jamais sentidas – o uso dos cinco sentidos na gastronomia - é para esse fim que a gastronomia molecular – ou seria gastronomia tecnoemocional? - surgiu, para provocar um pouco o nosso entendimento da dita “normose cotidiana” a qual, inegavelmente, acabamos nos confortando.

Artigo publicado no Jornal Gazeta do Sul.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Férias!


Estou em período de férias refrescando a alma e despejando nela toda uma quantidade de novos hábitos, preparando-a para o ano que se inicia. Neste período as postagens diminuirão - até porque modem 3G funciona mais em tese que em prática - mas sempre que for interessante, estarão no ar.
A todos um Feliz 2012 repleto de saúde, felicidade e prosperidade!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Os Melhores de 2011


Finalizado este saboroso ano de 2011, cabe entre tantas outras coisas, fazermos a reflexão e avaliação de tudo o que passamos na vida pessoal e profissional, nos amores, nas desilusões, nas alegrias e nas interpretações. Nesta linha é que a coluna de hoje é dedicada, a uma retrospectiva gastronômica baseada nas percepções feitas por mim em minhas andanças em meio a restaurantes, avaliações, degustações seguindo um critério puramente subjetivo e sensorial, refletido no prazer e na agradabilidade do que me chamou a atenção com foco nas opções da cidade de Santa Cruz do Sul mas também com algumas dicas de fora dela. A escolha dos Melhores do Ano iniciou em 2010 e este ano ampliou o seu olhar cuja análise vem a seguir.

Vinho tinto nacional: Almaúnica Syrah 2010
Vinho tinto estrangeiro: Renacer Malbec 2007

Vinho branco nacional: Bettú Chardonnay 2004

Vinho branco estrangeiro: Avondale Chenin Blanc 2009
Vinho rosé: Pericó Taipa 2009
Vinho best buy (custo-benefício): Podere San Cristóforo Garandelle Sangiovese 2009
Espumante nacional: Maria Valduga Brut Vintage
Espumante estrangeiro: Moet Chandon Brut Imperial
Cachaça: Germana*
Café: Do Ponto
Momento: Avaliação Nacional de Vinhos em Bento Gonçalves, em setembro*
Restaurante revelação: Minato Mirai, em Santa Cruz
Pizza: Tio Zugo, da pizzaria La Fiamma
Chope: Chope Black da Brahma, no Mercado Municipal de São Paulo*

Sobremesa: Torta de Chocolate com Damascos, do Iluminura
Fruto do mar: Bacalhau Gratinado do Restaurante Brasserie Chef Davi
Carne: Carré de Cordeiro do Restaurante Panela de Barro
Massa: Fettuccine Alfredo, do Restaurante Águas Claras
Restaurante japonês: Kinoshita em São Paulo

Petisco: salsicha com molho escuro do Santa Fé
Petisco com música ao vivo: choperia Amsterdam*
Happy hour: Lilliput em Porto Alegre
Comida caseira: buffet do restaurante Casa das Cucas*
Pizza tele-entrega: Pizza Yes
Local para compras de ingredientes culinários: Wein Haus
Loja de utensílios para cozinha: Edelweiss*
Chef revelação: Charlie Colonetti, o ganhador do reality SuperChef do Programa Mais Você da Rede Globo

Padaria: Pão Nosso*
Ambientação de restaurante: Antigo Bistrô*
Tele-entrega bem bolada: “Prato do dia” da Galeteria Casa Cunha*
Restaurante com melhor custo-benefício: Galeteria Brolese Solo*
Lanche rápido: Subway
Evento gastronômico: 9°. Jantar dos Cozinheiros
Programa culinário na TV: Jamie Oliver
Carta de vinhos: restaurante Pampulinha, em Porto Alegre
Vinhateiro: Márcio Brandelli – Vinícola Almaúnica


* escolhido em 2010 e novamente em 2011

Este colunista estará de férias em janeiro se deliciando com algumas coisas que a vida oferece de bom e retornará em fevereiro cheio de inspirações nas lidas de forno & fogão. Que Deus nos ilumine e que 2012 seja repleto de paz, saúde, felicidade e com pratos e cálices sempre cheios!

Artigo publicado no Jornal Gazeta do Sul de hoje.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Risoto de Frango e Cebolas Fritas

Várias vezes já falei neste nobre espaço sobre receitas de risoto, sua história e a imensidão de alternativas de ingredientes que ele pode levar. O fato é que preparar um bom risoto parece ser tarefa difícil, mas cá entre nós, é mais fácil que abrir um espumante sem deixar espoucar! No preparo da receita de hoje buscou-se remediar o sabor insonso do frango desfiado – por isso não use somente peito, mas também coxas e sobrecoxas de gosto mais estruturado – com um segredinho contado na Dica do Gourmet com um pouco de cebola frita, que além do paladar pronunciado trouxe também algo de crocante e diferente ao prato servindo inclusive de decoração. A seguir o Risoto de Frango e Cebolas Fritas

Ingredientes:
(para 4 pessoas)
2 xícaras de arroz arbóreo
300g de frango cozido e desfiado
Uma cebola pequena cortada em cubinhos
Um dente de alho picadinho
100g de manteiga
1 cálice de vinho branco seco
Um litro de caldo de galinha
100g de queijo parmesão ralado
Cebolinha verde cortada
Azeite de oliva
Sal
Pimenta branca

Preparo:
Aquecer metade da manteiga em uma panela e fritar a cebola e assim que murchar somar em seguida o arroz e o alho e deixar fritar por cerca de 2 minutos em fogo baixo. Adicionar o vinho branco e assim que evaporar juntar o frango e ir juntando pouco à pouco o caldo diluído – este é um dos segredos do bom risoto. Cerca de 15 a 20 minutos após o início do cozimento do arroz, o mesmo deve estar no ponto, ou seja, levemente branquinho em seu miolo e cremoso em volta, temperar com a pimenta e o sal e juntar o restante da manteiga, metade da cebolinha verde e o queijo parmesão mexendo bem. Desligar o fogo, abafar e servir após cinco minutos de descanso colocando por sobre um tanto de risoto a cebola frita e o restante da cebolinha verde.

DICA DO GOURMET

Pode ser usado no preparo deste risoto o resto do frango assado livre de peles e ossos, desfiado. Para dar uma enriquecida no sabor geral do risoto adicione quando estiver quase pronto, uma colher de chá de vinagre de maçã ou mesmo de vinho. O vinagre dará uma outra perspectiva de sabor ao frango e acentuará o sabor dos temperos. Para preparar a cebola frita basta cortar uma cebola grande em rodelas e depois em pedaços, passar no ovo e na farinha e levar a uma panela com oléo suficiente para cobrir a cebola. Aí é só retirar da panela e colocar em um prato com papel toalha para absorver a gordura e esfriar.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Joaquim Rosé 2008


Discriminado no passado – ao menos no Brasil – e levado a condição de ícone de elegância nos dias atuais, o vinho rose tem habitado as taças dos melhores restaurantes e recepções país afora. Pode ser produzido por meio de uma cuidadosa mistura de vinho tinto com vinho branco; ou por uma leve maceração das uvas pretas no mosto. Envolve um misto dos processos de vinificação do vinho tinto – início - e do branco – final, onde segue para uma cuba de aço inoxidável, para se obter aromas frutados e frescos. Na Europa Mediterrânea os vinhos roses são bastante apreciados e muito consumidos principalmente no verão. Um bom exemplar na linha de vinhos rosés é o Joaquim Rosé, da Serra Catarinense, produzido com videiras localizadas em grandes altitudes. Tem cor límpida e muito brilhante cor rósea salmão e apresenta aromas intensos de frutas vermelhas maduras e notas florais. No paladar é equilibrado apresentando fruta, acidez, madeira e amargor sintonizados e em harmonia. Possui 13,5% de graduação alcoólica e ideal ser bebido resfriado entre 10 e 12°C.

E lembre-se: se beber, NÃO DIRIJA!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Paleta de Cordeiro com Cuscuz Marroquino

A receita de hoje foi criada e preparada na última sexta-feira inspirada numa das edições da Revista Gula que trata do uso do fogo no preparo dos alimentos. Parece complicada, mas é fácil e não requer muito trabalho. A seguir a PALETA DE CORDEIRO ASSADA AO MOLHO DEMIGLACE DE VINHO COM ESPECIARIAS ACOMPANHADO DE CUSCUZ MARROQUINO.


Paleta de cordeiro:

Ingredientes:
Uma paleta de cordeiro
Meia xícara (chá) de azeite de oliva
Um ramo de alecrim destalado
Três folhas de sálvia picadas
Duas colheres de sopa de vinagre balsâmico
Pimenta branca moída
Pitadas de cominho
Pitadas de gengibre em pó
Suco de um limão
Sal à gosto
Meia garrafa de vinho tinto seco de boa qualidade

Preparo:
Em um pote preparar o molho da marinada juntando todos os ingredientes menos o sal. Misturar bem. Com um pincel de cozinha passar a marinada em toda a paleta e acomodar em uma assadeira, deixando pegar gosto por cerca de seis horas. Salgar a paleta e juntar o vinho tinto sem derramar em cima da carne, cobrir com papel alumínio e levar ao forno pré-aquecido a 200 graus por 40 minutos. Retirar o papel alumínio e assar por mais 30 minutos. Sacar do forno, separar a carne e levar a assadeira para a boca do fogão em fogo alto, adicionar duas xícaras de água fervente, juntar sal e pimenta e deixar reduzir, mexendo com uma colher de pau para diluir a crosta que ficou no fundo da assadeira. Tirar do fogo, coar e adicionar uma colher de sopa de manteiga gelada, batendo bem para engrossar. Esta técnica se chama demiglace. Servi-lo por cima do cordeiro acompanhado do cuscuz.

Cuscuz Marroquino:


Ingredientes:
Três colheres (sopa) de azeite de oliva
1 cebola pequena picada
1 dente de alho picado
3 xícaras (chá) de caldo de frango
Uma cenoura picada em cubinhos
Meia xícara (chá) de damasco seco picado
Meia xícara (chá) de tâmaras secas picadas
1 xícara (chá) de amêndoas
2 colheres (sopa) de salsinha picada
1 colher (sopa) de coentro fresco picado
50ml de leite de côco
Sal e pimenta-do-reino a gosto
150 g de cuscuz

Preparo:
Fritar o alho e a cebola no azeite e adicionar os legumes e as frutas. Refogar até murcharem. Acrescentar o caldo de frango. Quando o caldo de frango estiver aquecido, desligar, adicionar o cuscuz e leite de côco e tampar a panela. Somar a salsa e o coentro e temperar com sal e pimenta-do-reino. Reaquecer e servir.
Esta receita rende 4 porções.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011